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Um ano depois...

Confessado por Mulherde30, em 21.10.05

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E aqui estou eu, um ano depois...
Engraçado como houve um dia em que me perguntei: um blog? e porque não?
E começou assim uma aventura.
Ter um lugar, alem dos meus caderninhos, onde podesse escrever e partilhar pequenas partes de mim. Como um puzzle, que completo, mostra quase tudo aquilo que sou, sem pudor.
Os meus cadernos são só meus, ninguem lê, ninguem sabe o que contêm. Aqui, quem quiser pode ler, pode deixar opinião, pode ser anónimo. Podem mostrar-me sempre que estou errada por ser este emaranhado de confusões, podem mostrar-me o outro lado que por não ser meu não sei como é...

Eu serei sempre uma mulher de 30....sem rosto.


Olho para lá e vejo-me de novo a escrever o primeiro artigo num espaço em branco, sem cheiro.
Olho de novo esses dias de turbolência. E o que já se passou! O que vivi depois desse dia... o quanto a vida se alterou.
O que somos hoje não seremos amanhã... é assim que o destino se vai cumprindo... em cada dia que fazemos do presente um rigor constante. Em cada dia que a vida sai do lugar onde ontem tinha ficado.


As pessoas que entraram e permaneceram na minha vida, as que foram ficando, de mansinho, as que sairam, as que entraram e sairam....
Pessoas. Seres que de alguma maneira ficaram aqui. E se ficaram é porque as senti. Pelas melhores razões. Todas elas me permitiram viver uma história. E ainda permitem, algumas.


Idade: 30
Atura: quase 1.75
Peso: quase 60
Morada: quase norte
Estado civil: divorciada
Filhos: ainda não foi este ano
Sonhos: alguns por realizar
Fantasias: cada vez mais...

Talvez no novo ano, haverá um dia qualquer que seja o ultimo. Chegará o dia em que sinta que já nada faço aqui, neste espaço. E o espaço ficará de novo em branco.

Mas hoje, um ano depois, quero apenas dizer obrigada.

A todos quantos aqui vêm e ainda me fazem crer que vale a pena...
Àqueles que por esta porta entraram na minha vida...
Aos que vinham sempre aqui e depois nunca mais...
Aos que comentavam sempre e depois já nem tanto...
Aos amigos que vieram e ficaram...aos outros que partiram.
Até mesmo para quem continuo a ser uma amiga sem rosto, sem voz.
Aos que escrevem e me fazem rir e chorar...
E aos que vêm nas sombras, devagar, espreitar a vida de uma mulher comum, no silêncio, mesmo a esses.

A todos: Obrigada.


Como confissão: quem sabe, de hoje a um ano, continue por aqui? É que escrever, continua a ser a melhor forma de expulsar os meus fantasmas...

publicado às 22:54

Que fazes aqui?

Confessado por Mulherde30, em 20.10.05

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Fotografia: ?

Tenho horas em que só me apetece gritar e comer ameixas verdes. Que merda.
Venho eu do trabalho, quentinha a conduzir em estradas desertas, a fumar o meu cigarro da tranquilidade, a cantarem "November rain" baixinho, no meu ouvido, só para mim... uma lua lá no céu meia encoberta por nuvens que choram, devagar, uma chuva miudinha....

E pronto....de repente, dei-me conta que estava a pensar em ti.
Fiquei fo****. Claro, gaja que é gaja chateia-se...mas que gaita é essa de invadires assim, de repente, os meus pensamentos? Não estavas bem lá atrás, onde não dói? Não estavas bem lá, onde dizem que já passou? Porque vieste de repente para o presente?

É que não é justo... eu já não adormecia a pensar em ti, quando acordava já não eras tu que me vinhas à memória...já não ficava acordada a pensar em porquês, já não soluçava baixinho, já não repetia mil vezes: telefona-me, anda lá...e já me recusava a telefonar-te por achar que era descer demais....
E do nada, lá estás tu, sorridente, lá estás tu a dormir, lá estão as tuas palavras, os teus gestos, tu em tudo...


E agora, enquanto escrevo, ainda me andas aqui a rondar. Esquece. Fica no teu mundo eu fico no meu. As portas que se fecharam depois do adeus que não se disse, já não têm chave...tu e eu jogámo-las fora. E porque raio ainda penso em ti?
Raios partam esta merda.... que não te vais embora de vez!

Mas vais ver, enquanto escrevo, distraio-me. E no fim, já nem sei porque estava a escrever com tanta força para me doerem os dedos... tenho a certeza que não.

É que assim , tudo fica mais custoso. Eu queria apenas esquecer depressa, acordar no dia em que já não lembrasse... e do nada, vejo-te assim, a vagueares em mim.

Deve ser da musica. Não, não pode ser porque a ouço muitas vezes.
Deve ser da chuva. Tambem não. Todos os anos chove.
Do cigarro muito menos porque fumo todos os dias. Será que isto é mesmo tabaco? E vai daí venderam-me outra coisa qualquer.
Pode ser da lua...mas que posso fazer eu para a tirar de lá?
Nada. Nem quero. Ela é linda demais. Não mereces o trabalho de apagar uma coisa assim de um céu imenso só porque ela me faz lembrar de ti.
E um dia, tenho cá para mim que já nem ela me dirá como raio te chamavas tu. Vais ver...

Arre. Pôrra. Que merda.... parece que andas aqui a jogar à escondidas...
E só para não ser parvinha, chego a casa e faço um penteado todo radical, a cera. Só para me concentrar na dor, dizer uns palavrões e ver se no entretanto esqueço de ti.

Resultado: sofro, digo asneiras, fico com um penteado artistico, olho-me ao espelho, sorrio. E tu ali, a rires tambem. Mas que merda é essa? Quem te deu esse direito? Fo**-**... ainda aqui?!? Não corro contigo porque gaja que é gaja não corre, caminha depressa.


Sinceramente, esta tua mania de fazeres parte da minha vida, sem fazeres, não tem piada. Nenhuma. Quereres continuar depois de ires embora é teres importância a mais, não concordas? Chega a dar nos nervos...


Quero ver se não volto a pensar em ti. Ouviste?

publicado às 23:30

Banheira de espuma...

Confessado por Mulherde30, em 18.10.05

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Fotografia: ?


Hoje era só mesmo isto que precisava....

Chegar a casa, encher a banheira de água quente e de espuma e deixar-me ficar assim, no lusco fusco das velas que criam as sombras chinesas, a ouvir musica que faz sonhar, a fumar um cigarro.
O som da água, o deslizar da espuma nas costas, o pensar só no que apetece, o sentir-me tão leve...

Podia estar acompanhada, a beber espumante, a comer morangos e chantilli. Podia mas não estou.
Mas tambem ninguem me garante que a companhia iria ser boa. E se fosse alguem que ocupasse tudo? Ia perder a piada...
E de quando em vez sabe bem ter todo o espaço só para nós. Como aquele instante em que quem dorme connosco se levanta e nos permite preguiçar o corpo em toda a extensão da cama.....


Há momentos assim...que se fossem partilhados teriam com certeza outro sabor. E a imaginação lá se vai escapulindo entre um pensamento e outro fantasiando o que podia ser mas não é. A verdade é que sempre que abro os meus olhos estou assim, sozinha, mergulhada numa banheira de espuma...

Pouco importa, sabe tão bem!

publicado às 21:38

Vamos falar de política?

Confessado por Mulherde30, em 15.10.05

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Sim. Vamos falar de política.

Sempre que digo a alguem que não voto nem nunca votei e que pelo andar da carruagem dificilmente chegará esse dia, ficam sempre muito admirados e vêm com a conversa que ah e tal... é um dever e um direito.
Pois.

Os deveres que tenho, cumpro-os porque vejo resultados. E os direitos.... isso é que se for mesmo para rir.

É que eu vivo num país em que as pessoas precisam esperar três meses por uma consulta no médico de familia (quando o têm). E se precisam de um advogado, pois... direito a eles temos, mas há que provar primeiro que não podemos pagar um do nosso bolso. Que na melhor das hipóteses somos primeiro condenados e só depois temos um advogado.

Vivo num país em que as crianças vêm a sua escola a ser fechada e para prosseguirem os estudos caminham 10 km até à escola mais próxima, escola essa que no Inverno nem conseguem escrever com o frio que têm. E professores no desemprego. E se forem de autocarro, convem que se levantem da cama às 5 horas da madrugada....

No meu país há crianças que nunca viram o mar nem sabem o que é um baloiço...ou a sensação de andar num.
Aqui, os meninos querem aprender a ler e a escrever e o seu sonho é apenas trabalhar na agricultura, como o pai. Ou talvez serem mecânicos, bombeiros...
No meu país, as crianças depois da escola ajudam os pais, outros deambulam pela cidade a pedir esmola, viram caixotes do lixo à procura de comer, e brincam com um carrinho que alguem jogou fora. As roupas, antes de serem deles eram dos irmãos mais velhos e antes de serem destes eram de um menino de outro país qualquer.
No meu país as pessoas pagam impostos quando nem sequer têm estradas decentes por onde andar. E se andam a pé, nem passeios têm.
No meu país, onde ajudo a pagar os salários dos funcionários publicos, sou sempre mal recebida. Como se eles me estivessem a fazer um grande favor, levantam-se 45m depois de eu ter chegado (no entretanto estavam ao telefone) para dizerem com voz enfezada: digaaaaaa. E como se não bastasse todo o tempo de espera, depois de já estar com um nervoso miudinho pelo corpo ainda têm a lata de dizer que tem que ser na outra fila.
Porque estes que nos atendem, são doutro país...o país das reformas maravilha depois de uma vida a coçar a micose. No meu país, os que trabalham de sol a sol e os mais mal pagos, reformam-se para receber 100€.
No meu país, já não há continuos...já não há escola primária.

No meu país, os adultos tentam viver (sobreviver) com 375€ por mês.
No meu país há quem ajude os mais carenciados, esquecendo-se que quem é pobre, tem vergonha. Por isso se vêm as sras a irem lá, acabadas de sairem da cabeleireira com cabelo à caniche, buscar umas saquinhas de alimentos para depois as vermos a tomar o pequeno almoço na pastelaria e a entrar no táxi para irem para a sua mansão.


Não é triste ser-se pobre...triste é não se ter as mesmas oportunidades.

E quando me dizem que todos os cidadãos são iguais perante a lei, esqueceram-se de acrescentar: desde que tenham nome e dinheiro.

E quem se atreve a dizer-me que eu devo votar? Parece que não percebem que para mim, pouca diferença faz o nome ou o partido...queria sim era não sentir o que sinto quando olho para o meu país. E mais que isso: o vejo.

Porque no país dos outros, todos têm dinheiro para fazer consultas e operações em clinicas privadas.
Nesse país de estádios de futebol, de auto estradas com portagens a preços absurdos.
No país dos outros os meninos "bem" têm quem os leve e busque do colégio tão climatizado para depois os levarem ao Mac comer um big para deitar fora o carrinho que lhes saiu. Porque afinal não era aquilo que o menino queria. E já nem sequer come, ficou com birra, joga fora o hamburguer, as batatas e a bebida.

E já que o menino teve boas notas, porque não faz um cu quando sai da escola a não ser a play stacion e outras merdas, que tal levá-lo à disney? Porque neste país, o sonho destas crianças é tirar um curso qualquer para depois passar umas horas por dia na empresa do pai e passear com um carro de impacto pela cidade, à noite.
E como o menino come papinhas que a empregada lhe prepara cresceu, as roupas que já não servem, que tal dá-las ao menino do outro país? Mas convem que pessoal nas ruas dos dois paises vejam quem lhe deu a esmola...
Nesse país, paga imposto quem quer e quanto quer.
Nem ninguem sabe o que são estradas, já não há. O que existem são auto estradas....o salário permite. E estacionam o carro onde dá mais jeito.
Nesse país, não há filas. Há sempre quem os conheça onde quer que vão, alguem que os ajuda no que quer que precisem.
No país dos auxiliares de educação e da escola básica todos são funcionários publicos. Sejam jardineiros os directores....se alguem lhes pergunta a profissão, a resposta é sempre a mesma: funcionário publico.
No meu país isso quer dizer que não faz um ca****o... e que 375€ deve ser quanto lhes custa um par de sapatos.

Mas nos dois mundos há algo terrivel ... Nada se previne...primeiro acontece.
Que importa que a criança tenha desaparecido? Há que esperar. Esperar que seja raptada violada e morta. E se com sorte se apanha o assassino fica meia duzia de anos na prisão. Enquanto que os outros, cá fora, lhes pagam a estadia.
Nenhum dos países tem sinalização sonora nos semáforos para os invisuais. E estes deparam-se com tudo pelo caminho, desde carros estacionados nos passeios, como crateras sem serem sinalizadas. E os deficientes motores nem um acesso têm onde quer que seja, adaptado a si. A diferença é que num dos paises as cadeiras são motorizadas.

Não tenho nada pessoal contra esses da politica que se lambuzam em hotéis de 5 estrelas ou numa esplanada qualquer a comer camarão enquanto o património (o deles) vai aumentando. Nada de pessoal contra, mas ainda enerva, ver um mundo de gente a defender este ou aquele quando todos sabem perfeitamente que tempo de antena é só mesmo antes de lá estar...depois, eles querem saber mesmo é deles.
É que a gente do meu país, não tem importancia nenhuma, mas em tempo de eleições são visitados por todos com as promessa de sempre, para fingir que tomam atenção às queixas de sempre. Em tempo de eleição o meu país existe, todos se lembram que ele é real...é que nós podemos ser insignificantes, mas o nosso voto é importantíssimo.

Mas mesmo não tendo nada contra, sem ofensa claro, quero mais é que se fodam....

Como confissão: ficam a saber porque raio odeio esta gentinha da politica. E tenho a minha opinião. Talvez mal fundamentada aos olhos de muitos...ah que tal mas nem que votes em branco!
Não, isso era dar importancia demais a quem não tem.
É obvio que ao comparar o mundo das crianças não lhes atribuo qualquer culpa, cada uma adapta-se ao meio em que cresce.
Quero lá saber de politca ou de politicos quando olho ao redor e vejo um país podre!
E assim ficam todos a saber o porquê de nem sequer gostar de tocar na palavra politica...mas hoje apeteceu-me confessar.

publicado às 23:09

A maior mágoa...

Confessado por Mulherde30, em 12.10.05

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Fotografia: ?


Eles dizem para eu esquecer o passado. E eu lembro de ti. Como é possivel esquecer-se o que fez parte da nossa vida? Será que quem mo diz consegue simplesmente eliminar um tempo vivido da memória? Eu não consigo...
O mais que posso fazer é habituar-me para poder seguir em frente da melhor maneira que conseguir. É saber que tenho que aprender a viver com o passado para tornar o fardo mais leve.

E deixo o pensamento ir lá atrás e revivo tudo outra vez. É tudo o que me resta.

Eles dizem para não chorar. Talvez não saibam que há horas em que as lágrimas são o unico alivio que temos para a alma. Que no silêncio e no escuro do quarto o coração precisa de um espaço muito maior que o que temos. Porque somos apertados com a dor ...e até a dor precisa de espaço.


Eles dizem para falar de ti. Mas não sabem que dizer o teu nome dói. Eles não sabem que as palavras se enrolam, que todas são tão pequeninas para falar de alguem tão grande! E que se falar, preciso amarrar algures a vontade de chorar.

Um ano mais, hoje... E ainda não há um dia sequer que viva e não te lembre. Um dia sequer...
É a mágoa por não estares presente em todos os momentos importantes... nos bons e nos outros. E inevitavelmente sempre vem aquele nó na garganta, de mansinho, aquela vontade de te ter aqui perto, ter o teu riso, as tuas palavras sábias. Ter-te. Simplesmente.


Eles dizem que a vida são dois dias. E o que eu sei é que o tempo não volta atrás. Não posso voltar no tempo para que te tivesse abraçado mais vezes, beijado mais vezes, dizer-te que te amo mais vezes. E que te digo isto tantas vezes quando nos encontramos nos sonhos!

Eles dizem que tu continuas aqui. E eu que só queria ver-te... queria que não fosses apenas presença, entendes? Porque tu estavas sempre e depois nunca mais.
Que sinto até a falta das repreensões enroladas em algodão doce... sinto falta de tudo.
De ti.


Eles dizem-me tantas coisas porque não sabem. Os outros, os que sabem, não dizem.

Eles não sabem que há saudades que não nos cabem inteirinhas no peito.
Eles não sabem que os dias passam e mesmo que a raiva esmoreça, a saudade vai aumentando sempre mais porque vamos tendo a certeza que é uma saudade que não se pode matar, que vive cá dentro, que nos dói devagarinho.
Eles não sabem que há ausências às quais não nos habituamos porque são imensas...grandes demais.
Eles não sabem que a tua presença era a outra metade da minha vida, a que me faz falta.
Eles não sabem que te vejo ainda a dizeres-me a ultima coisa que me disseste, quando eu ainda não sabia que era a ultima.
Eles não sabem que é de alguem como tu que eu continuo à procura.
Eles não sabem que pensei que me fosses custando menos mas que afinal a cada dia a tua falta se torna maior.
Eles não sabem que tudo ficou muito mais cruel sem ti.
Eles não sabem que és a mágoa mais dorida, mais impotente, mais eterna.
Eles não sabem que ficou tanto por viver!
Eles não sabem que há sentimentos que vivem dentro de nós, sem descanso, que não nos deixam repousar.
Eles dizem porque não sabem...
Eles não sabem...


Eles dizem que o tempo cura tudo.
Mas sabes pai? Eles mentem...

publicado às 23:11

Outono...

Confessado por Mulherde30, em 09.10.05

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Fotografia: Kelly Barreto


Hoje, mais que caminhar, escutei os meus passos...

E protegida pelo silêncio que me embalava, percebi que já é Outono. As folhas, aos poucos vão deixando os ramos das árvores e as resistentes, as que permanecem, vão ganhando mil tons de de laranja.
Aos meus pés, as folhas secas espalhadas pelo chão, tão frágeis...

Hoje, mais que caminhar, escutei os meus passos...
Lá fora, já é Outono outra vez...

publicado às 22:42

(re)viver...

Confessado por Mulherde30, em 07.10.05

(fotografia retirada por denuncia ao Sapo, referindo-se aos "direitos de autor", quando a mesma tinha referido o nome do autor da fotografia)

Agora que estou a chegar, sinto o coração acelerado. Talvez seja pela imagem que vejo de mim reflectida no vidro. Já é de noite...já é quase hora.
Atendo o telefone e dizes-me que tens o coração a bater. Eu digo que sim, que ainda bem, que não me apetecia nada que morresses agora.

Ainda o combóio não parou já os meus olhos desconcertados tentam encontrar-te.
E vejo-te. Cinco anos depois....tu ali, à minha procura. Tal como naquele tempo...eu sentada na areia a ver-te lá ao longe na beira da água que ias e vinhas sempre tentando descobrir onde eu estava. E eu a rir-me para dentro, de caçoada, por te observar já aborrecido ao achares que eu tinha falhado ao prometido. E tu viste-me. E sorriste...


Desço do combóio, e chegas-te perto de mim. Não digo nada, não faço nada, fico só a ver-te. Para gravar outra vez tudo na memória...como se fosse "antes e agora".
E tu parado, talvez a fazeres o mesmo.

Continuas tu em tudo...mais gordo, com menos cabelo, mas tu. Esses olhos de mar onde um dia me perdi, olham-me como se fosse a primeira vez...

Ficamos ali, de sorriso saudoso de um tempo em que fomos uma época feliz...
Agarras-me num abraço apertado que retribuo com toda a força que a saudade pede.
É saudade sim...nem sabia que existia tanta aqui! Por vezes precisamos de bater de frente contra a vida para saber o quanto guardamos em nós, com carinho...

Continuas linda, que saudades tuas, dizes-me tu.
- Tambem eu senti a tua falta....

Agora, de volta à minha realidade, faço um puzzle dos pedacinhos que vivi, retalhos de uma história que continua por acabar...
Lembro um tempo que foi à uma eternidade e que parece ontem. E não terá sido? Não, parece-me que fui apenas viver mais uma parte da história, algo que faltava lá atrás... Como se fosse um capitulo perdido no meio de um livro que ainda não terminámos de ler...parece-me.
De alma leve, sinto o dever cumprido. Ainda bem que parti, ainda bem que estive contigo. Só mais uma vez. A ultima?
Não podia ter sido doutra maneira... nós encontrámo-nos para reviver uma história de fantasmas, uma história arrancada do passado. Por isso escolhemos uma cidade estranha, onde não houvessem correntes que nos podessem amarrar, por descuido.

O que tivemos é tambem uma forma de amor....à nossa maneira. Quando é que se passa a linha ténue do gostar para o amar? O gostar não será tambem uma forma de amor?Porque tambem se ama no carinho. Porque há os amores que não duram para sempre mas que podem ser eternos, que não se esquecem. E nesta história o amor existe porque podemos ser livres. Porque eu posso ser eu, tu podes ser tu. Porque acima de tudo, amo o que sou ao estar contigo. É esse talvez o nosso amor. Um amor diferente, que não nos prende.


E agora aqui, sozinha, sabes o que trouxe de ti? Tudo!
Trouxe os teus olhos azuis. Trouxe os teus dedos que tocam ao de leve na pele.
Trouxe tu, de corpo molhado de toalha enrolada a saltares para a cama com esse sorriso tão cheio de ternura!
Trouxe a tua lingua a deslizar nas minhas costas em descobertas matinais por baixo dos lençóis.
Trouxe a tua voz a cantar-me uma lenda em tom de fado...
Trouxe o sol que bate no vidro da janela de um quinto andar de hotel.
Trouxe o calor dos teus lábios...a leveza de espirito, a sinceridade que sempre te admirei.
Trouxe-te deitado no meio de lençóis brancos, amarrotados a veres-me assim, perante ti, nua.
Trouxe o gosto dos beijos, os sabores, o sugar da alma.
Trouxe tu a levantares o lençol e a prenderes-nos lá em baixo, como se quisesses apenas esconder-te do mundo, ou de ti...trouxe o teu cheiro de novo preso em mim.
Trouxe o bater do teu coração, o sillêncio do quarto quando, já aurora, adormecemos de corpos nus, enroscadinhos.
Trouxe tudo e deixei tudo de mim. Para que, quem sabe, neste instante me recordes tambem. Não custa tanto assim deixarmos pedaços de nós em alguem...

E uma vez mais a história ficou lá atrás, para quem sabe um dia, com jeitinho, se pegar nela outra vez, para sentir que estamos vivos. Para se sentir a palavra liberdade que nos rasga o ser querendo ser livre.

Fazemos a viagem para a estação...agora sim, custa.
Vamos lado a lado, sentados no banco traseiro do táxi sem dizer palavra. Olho as paredes da cidade, as árvores, o movimento. Toda a vida continua sem se dar conta de quantos muros nós derrubámos em conjunto para estarmos hoje aqui. E os nossos muros nem são assim tão intransponiveis, afinal.
Ninguem sabe, ninguem repara nem ninguem quer saber...o mundo continua igual...o Tejo além, na sua preguiça que escorrega devagar.
E eu a lembrar a ultima vez que estive aqui, o coração a ficar apertadinho...
E nós dois, de mãos dadas...como se tivessemos medo de nos perdermos um do outro...a caminhar na pressa de quem não o quer fazer.

Parto num combóio tardio e trago na bagagem as tuas palavras:
Não vás já. Fica só mais um dia. Só mais hoje.

E eu a abraçar-te com um coração a querer rebentar porque as despedidas doem-me sempre. E os olhos rasos de água, prendendo as lágrimas para não chorar, não agora.
Cheiro-te para te trazer comigo, beijo-te e digo-te ao ouvido:
- Até daqui a cinco anos...
E entro sem te olhar para não sentir o peso dos teus olhos, para que não vejas os meus humedecidos.

Não posso dizer adeus...
Duas horas de viagem ouvindo musicas que me deixam percorrer de novo cada segundo, cada palavra, cada gesto. Só para não esquecer, só para guardar junto a todas as outras imagens que me fazem companhia em noites em que lembrar as coisas boas ainda é o melhor...

E quando saio na estação com cheiro a maresia, sorrio.
E murmuro baixinho na esperança que o teu espirito me possa ouvir:
- Até daqui a cinco anos...e se não for pedir muito, pensa em mim, só para que nada tenha sido em vão...

publicado às 00:55

Indecisão...

Confessado por Mulherde30, em 03.10.05

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A mala está pronta...

Talvez amanhã, ao acordar, o meu coração me diga se devo partir ou ficar.
Estou dividida. Tenho a mesma vontade de te ver como a de deixar ficar tudo assim, arrumadinho na memória...como até hoje.

Eu sei que me queres aí. Sei que me queres ver...rever e reviver. Mas até que ponto se pode pegar numa história passada e colocá-la no nosso presente com a mesma intensidade?

Sei que as lembranças te pregam partidas. Acontece-me o mesmo. De quando em vez, do nada, vens-me à memória. E volto lá atrás, a uma época em que o destino nos colocou no mesmo caminho. Mas foram dias, apenas dias....e vejo-te a tocares a tua viola para mim, o teu dedilhar de emoção que tanto me enternecia. E ouço-te a cantar um fado. Até hoje, vê tu, quando ouço um fado me comovo, e penso em ti. Foste tu que me ensinaste a gostar.
Vejo-te de novo comigo e em mim. Vejo de novo a praia à noite, o teu toque, o teu olhar da cor do mar que te pôs na minha jornada. Recordo o teu sorriso, sempre suspenso...como tudo o que estávamos a viver. Recordo o teu cheiro. Acreditas? O teu cheiro que ficava entranhado na minha pele... cinco anos depois. E foi tão pouco tempo!

Como pode ficar alguem preso a nós, quando passou de raspão na nossa vida? Há as pessoas que são partes de nós, há as outras que partem de nós...e nós partimos, um do outro, tu para viveres uma vida, eu outra. Inevitavelmente as nossas partes partiram-se e partiram.


Olha para nós, agora. Cinco anos depois ainda a lembrar o outro. Olha para nós agora que tão poucas vezes nos falamos e vem assim um desejo de nos perdermos outra vez. Olha para ti agora a ligares, uma vez mais, a dizeres-me: vem. A fazeres o que sempre fazes quando a vida te maltrata...quando num misto de carinho e saudade pensas em mim. E eu sempre a dizer que não, que não posso, que não devo. Sempre a recusar... mas sem nunca ter coragem para te mentir e dizer que não quero.

E continuamos assim, de longe, a gostar devagarinho. Um gostar de criança que nunca aprendeu a amar...

E olha para mim agora, outra vez, a ponderar se devo ou não ir. Se quero ir ou não.
Por medo. Medo que depois a memória não continue com este carinho, que se altere depois de te ver outra vez. Olha para mim, agora. Dividida entre a vontade e o medo.

Não sabias, pois não? Nunca soubeste que aqui dentro pudesse existir o medo. Viste-me como mulher altiva, sempre. Mulher que corria pelos desejos sem reparar nos olhares que criticavam pela inveja de não terem a mesma coragem. Mulher corajosa. E hoje, olha para mim....sem saber se pego na mala e parto, para ir aí, ter contigo.
Como me verás agora? Aquela que conheceste só deixou aqui um bocadinho. E como estarás tu agora?
E se me perco? E se não quero mais voltar?

Talvez amanhã já saiba...hoje, rodopiam os pensamentos em mim. Gosto-te. Tu sabes. Será este gostar suficientemente forte para arriscar a transformação de memórias?
E se tudo for de novo perfeito demais?

Talvez amanhã, ao acordar, saiba se devo e se quero partir. Hoje não. Hoje não sei...


Talvez amanhã....sim, amanhã.

O ultimo combóio parte da estação às 20.55m.

publicado às 22:50

Às gajas da minha vida...

Confessado por Mulherde30, em 03.10.05

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Nada como ter amigas para aliviar o espirito...

No local de quase sempre, na hora do costume e lá estamos nós três/quatro em mini moitas porque no dia seguinte há que levantar cedo.
E ali passamos umas horas a gozar connosco e com as outras, a falar de coisas sem importância nenhuma.
Lá chegamos nós à hora marcada (porque gaja que é gaja não se atrasa), pede-se o café para começar e para contar as novidades do dia...depois vamos analisando os artigos que vão entrando, discretamente...(gaja que é gaja é discreta). E chegamos a muitas conclusões.

Claro que a idade lá nos vai ajudando a perceber o que aquele quer, do que o outro vem à procura, essas coisas...e se entra um giro, uma de nós pega na caçadeira e pum! Enquanto grita é meu é meu...hehehehehe...Mas pronto, como a idade avançada já não nos permite correr, lá vem uma gazela no alto dos seus 20 anitos (a meter nojo) cheia de mamas pernas e cús, de umbigo ao léu expondo a barriguinha lisa, de sorriso rasgado e dentes certinhos e brancos como a neve, maquilhada com um frasco inteiro de base, um baton e eye liner e sombra e afins...com um frio de morte e de bicos arrebitados (mas insiste em andar de costas ao léu), com uma coisa a que chama saia e nós (trintona eu e as outras quase) apelidamos de cinto...com uns saltos agulha que em momento de fúria é bem capaz de furar um crâneo...e pronto...lá vai ela, luz na passerella, uma gazela, que chega e nos leva a caça presa nas garras...é que assim, fica dificil sobreviver!

Esta é a primeira conclusão: meninas, a idade já não nos deixa muitas alternativas de caça, há que comprar tudo pré cozinhado. Ou seja, algo que alguem antes de nós preparou mas antes de aquecer, algo correu mal... é quase como um resto de qualquer coisa, neste caso, um resto de gajo.

Depois, claro...como é que alguem pode olhar para mim com estas pernitas de Olivia Palito, de cuzito enfezado e com estas micro mini mamas? Ninguem, claro está!

Adiante...a noite ainda agora começou... continuamos a falar de coisas sem importância....e aquelas couvinhas sem soda a passarem por nós a dizerem olhem para mim que linda que sou....e nós a pensarmos: fo**-te miuda, vai para casa brincar com as barbies que ainda tens muito a pedalar (quando cada uma delas sabem mais que todas nós três/quatro juntas....)

Onde é que eu ia? Ah sim, a noite depois de já ter começado... continuamos a falar de coisas sem importância.... uma queixa-se porque ele desapareceu e só hoje mandou uma mensagem a dizer que tinha perdido o telemovel no carro.... (pois sim....) e que anda muito ocupado, que chega a casa muito cansado por causa das reuniões (hummmmm, afinal havia outra, e chama-se reunião!). E aquela gaja ainda se põe a pensar se ele disse a verdade ou não...as outras a dizerem, manda-o ver se a avó tem o lume aceso, ele que se f***, quando te ligar, diz-lhe para dar uma queca com a reunião... e ela, manda uma mensagem enquanto nós dizemos: não, não, não...
E ela envia-a e arrepende-se logo a seguir. Mas tambem confessa que se estivesse em casa teria ligado... (pronto, uma mensagem sempre é mais distante que um telefonema...volta que estás perdoada).

Outra porque tem/tinha/vai tendo uma relação tão esquisita como uma galinha a rir-se para nós com dentes...nenhuma de nós entende aquilo (nem ela), mas lá vai tendo uns finais de semana potentes de quando em vez...muito de quando em vez.

A outra porque o gajo se lembrou que tem muitos problemas pessoais e que por isso não se pode dedicar a uma relação.... e lá vai derramando uma lagrimita que nós vamos limpando para que não choremos tambem.

Outra conclusão: o dicionário masculino não deve incluir a palavra sinceridade.

Eu tambem me queixo, claro! Gaja que é gaja exprime-se. Só me queixo que sou feia, que tenho mau feito, que ninguem me quer, que sou distraida e nunca vejo nenhum com chiwawa, quando vejo tem trela ou um ar esfomeado que dá medo.... e elas dizem-me:és um coração mole, devias ser má, não deves ser tão inocente (nem acho que seja....)
elas sempre teimam que conhecem um fulano que é primo de não sei quem que é perfeito para mim (e vão avisando que é feio).
É sempre feio, é sempre disto que me sai na rifa, que tomates. Pronto não é preciso que seja bonito...mas assim feio, feio? Que raio de sorte que tenho...
Elas sabem que eu penso que homem bonito dá muito trabalho, que olha mais para o espelho que para mim, cuida mais do corpo que da alma, que não lhe posso agarrar os cabelos que despenteio, que não me posso abraçar que amarroto a camisa, que não me posso atirar no seu colo que faço não sei o quê às calças....fo**-se para os homens bonitos! Mas tambem não significa que pretenda um sem dentes acabado de chocar com um camião cisterna...
Queixo-me do amor e da falta dele, queixo-me do preço dos preservativos que custam os olhos da cara e da maneira que as coisas estão já nem se pode pagar com o olho do cú. E já nem se pode ir ao cú a ninguem, o preço da vaselina e do gel lubrificante está pela hora da morte. Portanto, se era virgem onde o sol não brilha, assim continuo porque não tenho carteira para estas merdas (nem carteira nem gajo), além disso, o melhor mesmo para se poupar é ficar no atraso. Fo**-se que até para se sexar é preciso ter dinheiro!
Queixo-me de pouco, como se pode ver ....heheheheh...Queixo-me que me apaixono demais e de menos sempre por tudo aquilo que não devo...e outros azares.

Conclusão: mesmo em mau tempo para pescarias, continuo esquisitinha. Custa encontrar um daqueles em quem pouse o olhar e me sinta encantada...muito mais dificil é continuar encantada depois de cinco minutinhos de algo a que muitas outras pessoas chamariam de conversa.

A noite vai avançando e nesta altura em que continuamos a falar de coisas sem importância, vão surgindo bebidas na mesa que alguem ofereceu...mas como já estamos na fase de ver que tudo acaba sempre da mesma maneira, (que tal, muito carinhoso no inicio, tudo muito divertido e depois....)já nem queremos saber quem foi que teve tal atitude. E o gajo ali a olhar com cara de paspalho e nós, já possessas com tantas artimanhas não lhe ligamos pêva....

Nova conclusão: os homens certos aparecem sempre na hora errada...e pagam pelos erros dos outros, dos errados.

Os risos vão crescendo e multiplicando...
E as gazelas vão desaparecendo...horinha de dormir cedo para não ficar com rugas. E nós ali a sulcarmos as nossas em torno dos olhos.

E como continuamos a falar de coisas sem importância, falamos de sexo (neste caso na falta dele)...damos umas largas à imaginação que é coisa que não nos falta. Falamos das peripécias na cama, no que até ia bem numa noite assim e das pilas. Claro que nenhuma quer um porta chaves, nem sequer uma martelo pneumático nas mãos de um que nem sabe como aquela merda funciona.
Falamos dos casados que só queriam ser solteiros para darem umas quecas e dos solteiros que coitados (como nós) andam à míngua meses a fingem perante o mundo (com o peito de galo que fazem) que papam todas. E talvez lá no fundo (mas lá no fundo onde faz eco) só queriam ser casados (ou ter mulher, que dá no mesmo), para darem umas quecas de vez em quando.

Como conclusão: ninguem está bem, anda meio mundo desencontrado à procura do outro meio.

E quando a madrugada já bate à porta, com o rímel a escorrer pelos cantos dos olhos por rir e chorar (chorar a rir e chorar a chorar)...quando as conversas já são patrocinadas por várias bebidas que já nem sei o nome (que eu cá sou fina e só bebo Smirnoff ou Baileys) chegamos à conclusão mais importante da história da humanidade:

Se os homens são todos iguais, porque raio escolhemos tanto?


E depois, lá vai a Raquel a tentar abrir o carro com o comando da garagem...porque bebidas misturadas com sono e cansaço, garanto, é explusiva... para levar as meninas a casa. Sempre eu a taxista de serviço. Tudo eu, tudo eu....

E na madrugada que avança pela noite ficamos por aqui. Deixamos o nosso até amanhã habitual, cada uma para seu lado...e partimos de espirito bem mais leve do que quando chegámos. Afinal há outras como nós...

Vamos para o nosso aconchego, lidar com a solidão da melhor maneira que sabemos.

Como confissão: por vezes, no final de um dia de mil anos de trabalho, estou com aquelas mulheres em quem vejo pedaços de mim (porque as tenho como amigas) e com quem aprendo a viver esta magia a que chamam vida, e agradeço ter ao meu lado pessoas que estão lá, simplesmente. Para rir de mim e delas com elas...e para chorar por mim e por elas com elas. A vocês, amigas de todas as horas, (que talvez nunca irão ler nada disto) escrevo aqui o que tantas vezes vos digo... quero dizer-vos que quando brindamos "para que a vida seja sempre assim" faço-o na sinceridade. Que falte muitas coisas, mas que pelo menos nos tenhamos umas às outras para rir e chorar. Ou para simplesmente em silêncio, cada uma nos seus pensamentos, nos sentarmos no banco do parque a saborear os dias de sol. (não, não é patrocínio de Frize morango, nem Eristoff...nem do bocadinho do vosso Bacardi, Licor Beirão ou Caipirinha). "Gajas"... obrigada.

Até amanhã... e que a vida seja sempre assim.

publicado às 01:44


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