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Enquanto espero...

Confessado por Mulherde30, em 29.11.05

269774.jpg
Fotografia:?

Se me perguntarem porque espero ou o que espero, não sei dizer.
O que sinto é que ainda não é isto.
O que sinto é que caminhei tanto para alcançar o que pensava que era o que desejava, e agora, que olho o mundo do cimo da montanha, vejo que afinal... não quero tanto assim.

Afinal, sou feliz com muito menos. Preciso apenas de sentir, preciso apenas de acreditar, de sorrir. Preciso da liberdade, aquela que me faz sentir que não tenho nada a perder. Foi sempre assim que vivi, numa corda bamba, a pagar para ver se caía ou ganhava asas para voar.
Quase sempre caí. E levantei-me. É por acreditar... que talvez amanhã, quem sabe, consiga voar.
Viver a arrumar histórias e a começar outras...ir depressa demais e outras vezes não ir sequer. Chorar porque rio e a rir porque choro. Com este coração que não me cabe no peito. E reconstruo-me assim por dentro, devagar.

Recordo que um dia li um provérbio que dizia que quando chegasse a um momento em que me sentisse, de tão cansada, incapaz de dar um passo sequer, teria chegado precisamento a metade do caminho que era capaz de percorrer. Talvez seja verdade. A coragem surge sempre algures, nessas coisas que nos escapam ao primeiro olhar...


É a falta. A falta do toque que sabemos ser por amor. A falta de alguem que nos trate bem, que nos mime, que esteja lá, simplesmente. Mais que namorado, marido ou amante. Companheiro. O porto para o qual sabemos sempre poder regressar. O ter alguem à nossa espera. O esperar por alguem. A quem dar o ultimo telefonema do dia. A quem desejar boa noite. A cabeça de descanso num peito que se mexe devagar. O silêncio. A mão e o corpo entrelaçados noutra mão e noutro corpo. O beijo. O riso. O chamego. O aconchego. O partilhar. Alguem para escutar, alguem que nos escute. O dividir. O acordar cedo porque está tanto por viver... a tranquilidade das manhãs de domingo...as tardes de aconchego no sofá, entre mantas e lareira. As noites de travessura.
Cumplicidades... e o amor sempre escondidinho, ali perto, à espera do momento para gritar. E quantas vezes ninguem o ouve.


Por vezes a falta pesa. A falta de coisas tão banais...como o amor. O amor que quando não morre mata. O amor que muitas vezes, por desistir de nós, nos obriga a desistir dos nossos sonhos... sempre o amor. Que por ser tão odiado é tão procurado. E nessa procura, ele a bater à porta, de mansinho, e nós, distraidos.

Quantos sentem falta? E de quê? Ninguem fala das faltas que sentem, das saudades que têm. A verdade é que não se fala do que se sente... medo? Talvez. As coisa bonitas calam-se para se gritar alto as outras. As feias. É sempre mais fácil magoar que dizer gosto-te.


Eu sinto falta de muitas coisas...até de receber uma carta, verdadeira, em envelope fechado com o carimbo dos correios e tudo. Sem ser em correio azul, que parece ser urgente demais...mesmo que fosse uma carta que começasse por: "minha querida Raquel...."
Saudades das coisas mais pequenas.... saudade.
E a saudade só faz com que espere. Espero o dia em que a possa matar, para sentir aquele sorriso que nasce inocente, por uma ternura que vem do peito, cá de dentro, devagarinho... só para sentir que todo o tempo de espera não foi em vão...


A verdade é que sempre segui pelo melhor caminho, o unico que naquele instante poderia seguir. Parece-me agora que sempre o mais dificil.
Hoje que penso nas perdas, nas faltas, na saudade, nas esperas constantes, vejo que perdi muitas almas, mas nunca a minha, perdi muitos corpos mas nunca o meu. Perdi muitos homens mas nunca o amor. Aquele que continua cá no fundo, onde faz eco. O que espera. Apenas.

"Eu quero te roubar pra mim,
eu que não sei pedir nada.
Meu caminho é meio perdido...
mas que perder seja o melhor destino.

Agora não vou mais mudar,
minha procura por si só
já era o que eu queria achar.
Quando você chama meu nome
eu que tambem não sei onde estou
Pra mim que tudo era saudade
agora seja lá o que for....


Eu só quero saber em qual rua
minha vida vai encostar na tua

E saiba que forte eu sei chegar
mesmo se eu perder o rumo
E saiba que forte eu sei chegar
Se for preciso eu sumo

Eu só quero saber em qual rua
minha vida vai encostar na tua..."

publicado às 00:47

Na cama com...

Confessado por Mulherde30, em 22.11.05

CA0DQV0X.jpg


Há muito tempo que não me sentia tão acompanhada na cama...


Estou com:
- uma valente dor de cornadura
- o corpo que parece saído de uma luta de boxe
- o pingo no nariz, ou seja, ranhosa
- um termómetro para ver de 20 em 20 minutos se a puta da febre já baixou...
- uma caixa de comprimidos caros como os travões e já nem sei se estão a fazer algum efeito
- arrepios de frio, suores de calor... está dificil do corpo se dicidir
- dois pacotes de lenços já quase todos mais que usados
- lágrimas que me escorrem pelas fuças só de pensar na palavra luz...e ainda por cima a levar com esta do computador...
- daqui a nada vem a caneca de leite com mel juntar-se à festa...
- o Peter Murphy (ainda)
- umas olheiras até aos confins do inferno


Pois, armo-me em aventureira, toca de ir para a serra para lugares onde o diabo perdeu as botas gritou três vezes e ninguem o ouviu, depois dá nisto...
Já nem sei se deliro... nem sequer sei se consigo escrever uma frase com sentido...
Mas sei, isso sim, que os miminhos da mãe compensam tudo o resto.
E a gripe, vai passar.
Espero.

publicado às 21:11

Aprendiz, sim...mas aplicada!

Confessado por Mulherde30, em 21.11.05

sweetcharade.jpg
Fotografia: ?

Uma gaja não pode sair e deixar os amigos em casa que quando regressa é só vestigios de festança. Isto é que foram moitas na minha ausência....hehehehhe. Gostei de ver.
E hoje, de volta.

Domingo. Três da tarde...

Ando numa cidade estranha. Elas vão comigo a falarem de coisas a que perdi a meada porque me deixo levar pela musica que toca baixinho, que vou escutando entre um riso e outro.
Páro no semáforo e deixo o pensamento voar para um sitio que agora já nem lembro...
Buzinam-me porque o semáforo passou a verde. Verde como o amor...hoje em dia os amores já não têm o vermelho como cor porque já nunca amadurecem... são verdes, amores verdes.

Odeio que me buzinem. E numa tarde de preguiça, sinceramente, não apetece nada levar com um apressadinho. Teimosa, continuo parada.
Buzina outra vez.
Saio do carro. Calmíssima.
Só queria mesmo paz, de tão cansada que ando das guerras. Das minhas e das que os outros inventam. E até daquelas onde estou sem saber como. E das outras onde me sinto de arma apontada ao peito sem saber porquê.
Às vezes sinto falta de sentir a sério...de ter uma daquelas paixões outra vez. Mas tambem sei que o resultado de uma paixão são as lágrimas ou o amor eterno. No meu caso, é mais a primeira...

Caminho em direcção do condutor.
- Qual é o problema?
Ele sai tambem...a barafustar. Fala alto de tão nervoso. Que tal, que sou cega, que se vê logo que sou mulher, que me saiu a carta no Juá, que com certeza não chega a tempo ao encontro...
E eu a perguntar porquê tanta pressa, hoje é Domingo...falo calmamente o que o deve deixar ainda mais irritado.

Tira os óculos de sol e vejo-lhe os olhos. Lindos.
Atira-os para dentro do carro num gesto rápido com uma mão quase perfeita. Sem aliança.
Continua a discutir comigo. Charmoso. Lábios com contornos divinais.
E eu calada, a olhá-lo. Alto.

Caminho para junto dele, num impulso, deslizo os dedos nos cabelos negros dele, puxo o seu rosto ao meu, dou-lhe um beijo na boca e digo-lhe:
- Tem calma... hoje é Domingo.

Viro as costas, vou embora. Já não ouço a sua voz rouca que lembra o pecado.
Entro no meu carro, devagar...a musica ainda toca baixinho e não se ouvem palavras nem risos, nada. Silêncio.
Elas três que não tiram os olhos esbugalhados de cima de mim, caladas.

Pelo retrovisor, vejo-o encostado à porta do carro, ainda aberta, parado.
Já não gesticula, já não diz nada.
Abre o sinal e eu arranco, numa calmia de quem conduz num Domingo calmo, às três da tarde. De quem só quer viver devagar na velocidade louca de uma vida alucinante.
Ouço uma buzina...deve ser para ele.

Quem sabe não retribui o beijo a alguem que, como ele, vem apressado e só precisa de algo assim, diferente, para ver uma cidade linda, pacata, com olhos melancólicos e frios como estes dias de inverno que por aqui se fazem sentir?
Dias em que apetece entrar numa casinha de pedra qualquer e sentarmo-nos à lareira a comer presunto com broa e a beber vinho tinto... a sentir o tempo, calmo...a ouvir os minutos a deslizarem na preguiça das horas.


Passado um grande bocado, só ouço a Ana a dizer:
- Eu não acredito nisto!

E desatamos todas a rir...é que nem eu acredito no que fiz!
Apeteceu-me.

Pois é...sou aprendiz de mulher, sim. Mas uma aprendiz muito aplicada!
E tambem tenho horas destas, que deixo sair aquele outro lado de mim...o lado do escurinho, o lado dos segredos, da luxuria.
Mas as atitudes, essas, convem que sejam inesqueciveis...

Como confissão: recordo aquele rosto a olhar-me, incrédulo. Talvez à espera que a qualquer minuto saisse alguem de trás de um arbusto, de câmera na mão, a mijar-se a rir e a dizer: apanhado!
E aqui entre nós, que ninguém ouve, apetece-me rir só por pensar nisso outra vez...
Raquel, Raquel...isso não se faz!

publicado às 23:30

Eu!? Mulher!?? Não! Aprendiz....

Confessado por Mulherde30, em 07.11.05

rockwell_girlatmirror_640.jpg

Por muito que a ideia não me agrade nada nadinha, tenho que aceitar que devo ter um problema e não deve ser tão pequeno quanto isso.
Penso tanto sem nunca chegar a nenhuma conclusão. Mas tenho umas quantas suspeitas...
É que tenho horas que me sinto o patinho feio...a maior tansa entre todas as coisas que mexem...


Saio à noite com as amigas, elas, com aquele olhar felino, com olhos inquietos à procura de uma presa com as poses sensuais e decotes com mamas que se vêm lá dentro (não são como estas micro mini mamas que eu tenho) e dizem-me:
- Olha Raquel, aquele é todo giro, está a olhar para ti....
- Não, deve estar distraido.
É que para mim, nunca ninguem me olha, nunca ninguem me vê...e se vê, é suspeito!
E elas lá na caça. Por vezes entro na brincadeira, mas só mesmo por brincadeira. Elas entram e dizem logo quem está, onde está com quem está e eu, sempre absorta.
- Viste o A B C?
- não....
Eu nunca vejo. E quando vejo são sempre os pormenores. Ou seja, aquilo que elas não vêm...analiso os comportamentos, rio-me de certas coisas que vejo...e fico feliz se der à primeira com a casa de banho das mulheres....
Tenho a sensação que devia ser loura, de tão distraida, mas pelo menos Deus livrou-me desse desgosto. Pelo menos isso!
E depois se cruzo o olhar com alguem, esta timidez não me permite manter mais que 2 segundos....não vá ele entender isso como um convite, ou tenha poderes mágicos para ver o que penso. E como se não bastasse, desvio sempre os olhos para a pila... ainda me enterro mais de vergonha... que merda.

E claro, o mau feitio não ajuda muito...
Chegam-se a mim e oferecem-me a capirinha que eu não bebo, que dou às amigas e ele com cara de frustrado. Desculpa lá.... mas é que nem para te fazer o jeito bebo o que não quero.
E eles a tentarem, mas que fazer? Não me despertam aquela parte trancada, o desejo de conhecer, de saber mais, como que a dizer: hey libido, aqui estou eu!...
Es muito bonita. Pois sim, a bebida danifica os nervos ópticos...deforma a visão!
Bebe, bebe.... e verás com quem acordas!
Posso conhecer-te?
Ah, não te dês ao trabalho, ias desistir de qualquer maneira...é que nem eu me conheço.

Mas tenho dias em que me esforço, até que elas se lembram que eu ando ali (ou seja no momento em que vem a tal louraça que lhes leva a presa) e me descobrem, sentada, já com os olhos esbugalhados e cara de incrédula a ouvi-los falar que são uns coitadinhos, que ninguem lhes liga, que só queriam encontrar alguem....blá blá blá. Conversas do costume.
E não entendo bem como os homens dizem que evitam dizer a palavra "amo-te". É que eles dizem isso aos amigos, amigas, namoradas, conhecidas e afins...mas será que alguem acredita? Ah que tal, custa dizer isso, que tal, não consigo dizê-lo, que tal....Foda-se, pá...vocês, bêbedos é o que mais dizem! Só que não se lembram! Digo eu....
É que, sejamos sinceros, dizem mais depressa amo-te que o nome...o que acontece é que deve ser uma palavra nada sentida. Por aí, sim, já acredito....


E lá vêm elas salvarem-me.

E diga-se que sempre me saem as figuras mais tristres que existem no sitio. Um amigo diz-me que é porque esses já nada têm a perder, os outros, são cagões, com medo de ouvir algo que não seja: claro, querido, vamos para tua casa...nem se atrevem a chegar perto. É o medo, diz ele. Eu não acredito muito, acho que é só mesmo para eu não pensar tanto qual será afinal o meu problema. Mas finjo que acredito porque os homens gostam sempre que as mulheres acreditem nas suas mentirinhas....


A verdade verdadeira, é que as coisas mais lindas que ouvi foram de homens com estilo gregoriano (leia-se homens que quase dão no vómito. Vómito, gregório. Gregório, estilo gregoriano).


Se bem me lembro, todos os meus amores entraram de rompante na minha vida. Não foram conhecidos em bares nem nas moitas. Como se a vida os tivesse empurrado para mim.

Mas tenho que aprender a ser mulher, que isto assim não dá com nada. E convém que me despache...é que aos trinta já cheguei.


Vou com elas às compras até que já não aguento mais e lá me sento, à espera que vejam todas as lojas, todas as peças, experimentem todos os modelitos, se metam com os gajos...e por aí fora. Eu lá me vou entretando a espreitar os brincos e os colares. É que não tenho paciência para estar ali num cubiculo a despir-me para experimentar um retalho de pano.
E depois elas sempre vêm que fulana está mais gorda/magra. E eu vejo-as sempre na mesma. Elas dão conta se a roupa é nova e eu acho-as sempre bonitas porque são minhas amigas. Acredito até que se alguma se chegasse nua ao pé de mim, era bem capaz de lhe dizer:
- olha que és capaz de ter frio....

Puxa.... que merda. pareço uma menina de 1.74m com pintelhos que usa fio dental, meias de ligas e saltos altos. Ou uma menina de ténis e peúgas com bonecas, cuecas amarelas, azuis, verdes, cor de rosa....
Custa-me a soltar a leoa, a fera, a deixar evaporar a sensualidade em frente a tantos.

Patinha feia! Sim, tu, Raquel!!!!

É que olho para as outras, as que vejo como mulheres, e poucos traços lhes vejo idênticos aos meus.

Pronto, sou distraída....mas será isso um problema assim tãããããoo grande?
Acho que sim.
Isto para não pensar em todos os outros defeitos ou feitios que devem dar para preencher um rolo de papel higiénico....


Quer dizer que estou mesmo fod***...

publicado às 19:30

Porque hoje me apetece...

Confessado por Mulherde30, em 06.11.05

Imagem 005.jpg
Fotografia: Raquel

E porque hoje é domingo, porque não partilhar? Porque não dar de presente a quem por aqui passa um pouco mais de mim?


A noite foi longa. Cansei o corpo, dei descanso à alma. Esqueci das outras coisas, das que penso no escuro, quando fecho os olhos para ver mais além... sem conseguir.
Enquanto ri, enquanto dancei, adiei o que pesa no peito, o que arrasto cá dentro. Sempre sem saber muito bem o que é. Sem saber o que resta de mim em mim. Ou apenas sentir saudades de mim. O que está aqui e não consigo que se liberte.
Perco-me na noite e acabo em manhãs em que não me encontro.
E parece-me que só queria voar...

Acordei tarde sem ninguém. Toda eu do avesso.
Sentir o abandono quando já só me resta o silêncio.

_____________»silêncio«________________

E sinto a falta das manhãs de domingo. Em que se acorda e se espera que as horas se prolonguem em conversas que fazem sorrir, em carinhos, em meiguices, em toques de pele. A falta do pequeno almoço dividido nos lençóis, os corpos entrelaçados a ouvir a chuva ou a sentir o sol, escutando musicas que sempre falam de amor. Ficar assim, quietos, estendidos noutro corpo que nos roça os segredos, a falar de coisas sem destino...numa melancolia que não dói, espreguiçando as almas em almofadas com cheiro a momento feliz. Gastar o tempo, amarrotados. Deixar que os minutos levem para longe os passados magoados. Dividir, para que tudo o que é bom se multiplique. Um dedo por entre cada um de outros dedos...


E esta foto...
Um dia de outono, uma tarde de sol...a praia da Barra e eu.
E eu que hoje queria apenas escrever.
É o que faço...rabisco-me aqui e ali, sem nunca gostar do final das histórias. Com os dedos escrevo quando queria, isso sim, curar de vez as cicatrizes mal curadas.
Refazer as histórias, refazer-me. Transformar-me. Ser capaz. Não ter aqui a mágoa que já não me deixa acreditar...deixá-la num sitio qualquer.
E por dentro, onde estou apenas eu, rasgo palavras. Rasgo os pedaços deixados por entre os pedaços de mim. Escrever tanto e deixar sempre tudo por dizer...
Mas quando me procuro, dôo-me por dentro, cá no fundo onde até o silêncio ensurdece.
Queria apenas ter alguem a quem dizer qualquer coisa, ou ter qualquer coisa para dizer a alguem. Não estar sozinha, quando nem sequer estou só.
Apetece-me olhar os caminhos por onde a vida me leva. Quero ver as areias quase movediças onde me movo, devagar. Numa melancolia de vida que de tão completa se torna vazia.

Tenho dias assim...fico nesta praia, vejo o mar, as ervas que insistem nascer nas dunas contra todas as tempestades e que permanecem, ano após ano.
E o que sinto, aqui, é que tudo perde o sentido quando perdemos o sentido de nós.
De que vale tudo, se não há outros olhos para verem o mesmo que nós...

Como confissão: a vida, sem um amor, terá sentido? Afinal, de que ando eu à procura, sem nunca sair do lugar? Mas parece-me que a vida sem ternura não é grande coisa. Eu, deste jeito meio triste, apenas sou feliz entre espaços, entre pontos finais...

publicado às 23:46

Baú...

Confessado por Mulherde30, em 04.11.05

314101.jpg


Abri as gavetas. Aquelas que sempre custam abrir porque contêm coisas grandes demais. Pedaços de mim...reflexos do que sou. Ou hoje sou apenas os reflexos do que fui. Já não sei. Mas a essência, a que ultrapassa todas estas tempestades, intocável.


Abri-as devagar, para não magoar. E estava tudo lá. Todos os amores. Os grandes, os que ficam...todos os que foram eternos (e foram todos) e que agora só eu sei porque os sinto sem nunca o ter dito. Sentimentos presos em momentos, palavras (tantas) que ficaram por dizer.
Tudo o quanto vou colocando com ternura num baú já tão velho, quando prefiro não ver, mas não quero, mesmo assim, perder. Quero saber que está ali, que a qualquer hora, quem sabe, possa outra vez.
Histórias...


Com coragem sentei-me na cama, rodeada de papéis sem importância aos olhos de todos, com muita aos meus. E a nostalgia a soluçar baixinho...


E no final, arrumei o baú, fechei as gavetas em mim sem me desfazer de nada.
Esta mania de querer sempre tudo pertinho, para que possa ver tudo outra vez. Como num passo de mágica recuar no tempo e voltar lá, à praia, ao carro, à montanha, ao hotel, ao café, a qualquer lugar... pensar nas palavras, sentir o começo de todas as paixões. Como primeiro não era nada e depois era tudo. Voltar ao momento em que se olha alguem e o coração nos diz que existe ali um carinho que só quer crescer e nós, distraídos, nem tinhamos notado que o carinho, nesse momento, já nos preenchido todo o peito.
Afinal, posso rasgar todas as folhas, escritas e por escrever, de pouco valem. Posso inventar palavras, as que existem não dizem tudo...pouco há que possa escrever em momentos assim, como este. Instantes de evasão ao meu próprio passado.
Olhar para trás e saber que a vida segue por caminhos que nunca entendo bem. Por isso preciso voltar lá. Re-sentir, re-viver, re-olhar, re-amar...para quem sabe re-fazer tudo outra vez.

Continuou tudo lá. As cartas, os bilhetes, os recados, as fotografias que contêm os sorrisos presos num momento, os abraços, as flores secas. Tudo o que faz nascer um sorriso, por vezes triste, numa boca que já pouco fala de amor.

publicado às 00:02

Os dias de bruxa...

Confessado por Mulherde30, em 02.11.05

bruxa.jpg


Bem sei que o dia já passou.... O dia das outras bruxas, o meu ainda continua
Lá fui eu, no alto dos meus saltos agulha, saia preta, blusa preta a insinuar o transparente... cuequinha preta porque não podia ser doutra maneira, as meias de ligas... potente. Poderosa. Eu.

Foi engraçado, eu, que sou um anjo (hihihi) vestida de preto.
Mas tive que tentar. Talvez nesse dia me enfeitiçasse por alguem. Ou enfeitiçasse alguem. Não aconteceu... acho eu.
Pronto, lá houve aquele bando de homens que não eram nem quimicos nem naturais nem assim-assim que se babaram... bem, havia lá um que abriu o apetite. Mas como eu só ladro, fiquei pela apreciação do banquete sem lambuzar os dedos.
E o outro, um assim assim, que me tentou convencer a ter um encontro imediato num caldeirão. O que a bebida não faz!


Mas gostei tanto de andar de vassoura que ainda não dei com o caminho para casa...pudera! Pelo menos sinto alguma coisa entre as pernas...

Como confissão: o dia está para rir... ainda não fiz mais nada hoje que não fosse gargalhar com um riso de mulher do norte, que mais parece uma galinha a cacarejar.... mas vou indo, mais uma volta, que a noite chama por mim. Isto de moitas, vicia.
Talvez hoje, o feitiço se concretize....nunca se sabe. Nunca se sabe!

publicado às 22:19

Em noites frias....

Confessado por Mulherde30, em 02.11.05

180873.jpg
Fotografia: ?


Só queria ter umas mãos, que devagar, me percorressem o corpo numa massagem lenta, quente, sensual...
Em noites assim, em que sei que o frio está lá fora, e o corpo nu, deitado, tão quente...
Em noites assim, que apetece o sexo desvairado e louco nos lençois...
Que se deseja tanto um corpo colado ao nosso, suados...misturados em odores e sabores, em saliva em pele e em alma...em beijos e toques que arrepiam a pele, que a fazem gritar no silencio da noite....assim, enquanto a musica nos faz sonhar...you now the way...

E esta cama, tão imensa...tão vazia. Este silêncio sem vozes nem sorrisos.
E eu aqui tão imensa, tão vazia. Tão sem a outra parte, a que faz despertar o desejo que me consome nas noites frias, como esta. A parte satânica da alma que desfaz o corpo quando se deseja apenas outro corpo em nós...

Como confissão: hoje é uma daquelas noites em que apetecia mesmo....
Está aí alguem?

publicado às 00:00


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