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Previsão meteorológica...

Confessado por Mulherde30, em 30.07.06

judi.jpg
Fotografia: Judi

"Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,

ou na banheira amar, de água vestidos,

amor escorregante, foge, prende-se,

torna a fugir, água nos olhos, bocas,

dança, navegação, mergulho, chuva,

essa espuma nos ventres, a brancura

triangular do sexo -- é água, esperma,

é amor se esvaindo, ou nos tornamos fontes?"


Carlos Drummond de Andrade

Este gajo sabia-a toda... e depois ainda me ponho a ler o que ele escreve... só piora, claro está.

Como confissão: estas noites, ainda quentes, que não deixam o desejo acalmar faz apetecer o amor num chuveiro. Ou um amor urgente num repuxo qualquer de jardim.
Transformar o chão em cama para satisfazer os pensamentos famintos e satânicos, que se apoderam de mim.


Eu assim, no atraso, a criar teias de aranha, até deve fazer mal!
Mas pior que isso, ainda me dou ao luxo de ser esquisitinha e arredar mãos que teimam em subir-me pela perna, por baixo do tecido do vestido preto. Mãos teimosas... elas não sabem que eu, com o meu vestido preto, nunca me comprometo.

Como é que é possivel? tenho cá para mim, que os homens ao morrerem, nem deus lhes permite entrar no céu por tamanho pecado que cometeram, ao deixar uma mulher como eu, de corpinho de sereia e pezinhos de lã, à míngua.
E nem é por nada...mas passo os dias em aquecimento e compareço sempre aos treinos, não sei porque raio é que em dia de jogo fico sempre no banco!
Homens... andam a falhar comigo, ai andam andam.


E pelo que sei, creio que a temperatura vai continuar em alta nos proximos dias. Temperatura altíssima...(cuidadinho com os escaldões) ali para os lados de Fio Dental. E adivinha-se o tempo muiiiito húmido na zona de Tanga.
Merda.
Quer dizer que estou mesmo fo****.

publicado às 23:07

Nesta janela sobre o mar...

Confessado por Mulherde30, em 23.07.06

stefan beutler.jpg
Fotografia: Stefan Beutler

Aqui sentada, na orla da praia, onde a água onda após onda, me beija os pés, deixo-me ir…
Sinto o sol a queimar a pele… e eu espero.

Espero porque sei que sim, entendes-me?
Vejo-me rainha num castelo de cristal, num castelo de areia, observo a imensidão de um mar que sempre te traz até mim. Cá por dentro.
Deixo que o dia se despeça devagar, que traga todas as tonalidades de laranja ao céu azul, numa mistura de cores que se mistura na confusão dos sentidos. Sentidos que te carregam comigo onde quer que eu vá.
É uma espécie de amor encantado, não é? Aquele amor tranquilo, pela metade, meio cheio e meio vazio. Um amor meio tudo e um amor meio nada. Apenas uma espécie de amor. Que não é mas podia ser. Um amor que a vida deixou, que o desejo não pôde esperar… mas não sei se nós quisemos o suficiente.
Um daqueles amores que não chegou a nascer e que por isso não pode morrer. Que se constrói os alicerces quando sabemos que neste castelo nunca vão existir paredes nem janelas de onde se possa ver o mar.
E por não o poder sentir no corpo, esse amor, se sente apenas na alma. Na imaginação, no fundo de nós, onde faz eco… torna-se um amor encantado.
Mas sabes?, hoje parece-me que não quero adiar um dia que seja, não quero ficar longe. Quero ver, sentir. Olhar-te para saber. Saber se o encanto deste amor só é visto pelos meus olhos.

E com os pés enterrados nesta areia molhada da praia, eu sei.
Eu sei…
Ou talvez não e tudo isto seja apenas o desejo de um coração de mulher a gritar.

Sei que quando for mais logo, à noitinha, me vou sentar contigo na varanda do teu quarto e o mar estará ainda aqui, mesmo sem o ver.
Vou ver o teu rosto iluminado pela chama de uma vela ou pelo calor que trago no peito, não sei.
Quando a brisa da noite chegar, vou sentir frio e vou cruzar os meus braços, descalçar as sandálias de prata e pousar os pés sobre a cadeira que está entre nós dois.

Apenas uma cadeira vaga, vazia. Estarão assim as nossas almas nesta procura do momento de desatar os nós, de deixar aquilo que amarra e que, bastando querer, não nos prende? Os nós… nós cegos e nós sós. Ou estamos longe e mais perto do que algum dia possamos estar? Ou estaremos juntos separados?

E tu, devagar, vais tocar na pele macia, por baixo do tecido do vestido colorido que me contorna o corpo, subindo-me pela perna, tocar-me o interior das coxas, descobrindo.
Os olhos procuram-se para saber…. E sabemos que o frio cá fora não diminui o calor que se começa a sentir cá dentro. Dás-me a mão, levantas-me e envolves os teus braços na minha cintura para nos embalarmos numa música que nos chega de perto, tendo como tecto um céu negro coberto de estrelas que nos espiam no segredo.


Sei que me levas para dentro do quarto, para as sombras chinesas, apertas as minhas mãos com as tuas, mãos vazias que tanto se querem, entrelaçam-se os dedos… encostas-me à parede e na mistura de sabores, procuras-me os lábios com a tua boca. E o beijo acontece. E o vestido desaparece…e toda a extensão da minha pele a descoberto aos teus olhos. E eu a adivinhar-te saboroso…
E ali encostados, vou desapertar-te os botões da camisa preta, enquanto te olho pelas sombras do quarto. E tu de dedos compridos a procurares-me por baixo do rendilhado das cuecas, a musica a tocar baixinho…
Chego-me mais perto, beijo-te, provo-te, provoco-te, cheiro-te… e os sentidos numa languidez, num torpor que inebria. Encosto as mãos ao teu peito para te sentir o bater descompassado do coração. E o coração disparado a galopar por todos os recantos, como o meu. Pelo desejo há tanto adiado, pelo prazer que só se quer libertar e que me parece hoje que deixámos sempre, erradamente, para depois….


Quando for mais logo, à noitinha. Eu sei…
Vou subir devagar, a tactear-te, a comprovar-te, a marcar-te a pele, a memorizar os contornos do teu peito, a cravar-te as unhas, subir pelo teu pescoço e enterrar as mãos no teu cabelo. E tu com as mãos cheias de mim. Nas costas, num deslize que arrepia, na curva dos rins, devagar. As tuas mãos cheias dos meus seios arrepiados, das minhas nádegas que apertas, que puxas para ti para te sentir o pulsar do desejo. Os teus dedos irrequietos e aventureiros por dentro de mim, numa procura que provoca o gemer baixinho, o fechar os olhos para me deixar levar.
Entrelaço as pernas firmes na tua cintura, apoio os braços nos teus ombros, para não te deixar partir.

E rodamos numa dança desligada, apressada, até cair no mar branco dos lençóis. Num mar onde te vou provar, esgotar e gostar. Morder e trincar. Onde vou tocar-te num toque de pólen, procurar-te com a língua deserta de ti. Sussurrar-te baixinho ao ouvido:
- Quero-te tanto…
Beijar-te a boca, beijos de língua e saliva, os cabelos em cascata sobre ti, procurar-te a língua com a minha língua, descer pelo teu pescoço, pelo teu peito enquanto te procuro as mãos para as prender por baixo das minhas. Para que não toques, apenas sintas a língua molhada espalmada no teu corpo, a viajar para sul, a lamber cada milímetro de ti, saboreando sem pressa, conhecer-te o gosto do mel, ficar-te com o sabor, deixar que a pele se arrepie….para que sintas o deslizar do meu corpo no teu, o encosto da pele suada, o desejo do amor urgente…
Quero que sintas. Apenas…
Quero que sintas tudo em câmara lenta, como se fôssemos personagens de um filme que há tanto tempo escrevemos o argumento e só hoje realizamos. Hoje, na urgência do desejo…e que já só quero saciar a vontade de tudo o que provocas em mim.


E o corpo que já só espera. O olhar que adivinha o êxtase, as tuas mãos irrequietas que me tocam ao de leve por entre a humidade, para que me abra, para comprovarem que estou pronta, que te quero dentro de mim… num começar lento, de conhecimento, de encontro ansiado. Ser o verso e reverso de ti.
O meu corpo a serpentear sobre o teu, as minhas pernas entrelaçadas nas tuas, os braços em abraços apertados, os corpos unidos e contorcidos…
O amor que se quer fazer... (ou construir?)
E sei que vou sentir o pulsar do teu corpo, a fúria de querer libertar os orgasmos, os gemidos, numa dança lenta ou desenfreada de corpos que se rasgam, que se querem…. Os corpos que se querem agarrar, que nos fogem das mãos, que nos escapam, escorregadios. O teu corpo estendido, duro, apetecível… a visão de ti que vou querer guardar. O teu corpo onde quero depositar todos os beijos que guardei.
E chegando-me mais perto, vou ajoelhar-me com as pernas sobre ti, a roçar nas tuas, tocar-te a carne entumecida, baixar-me para o teu regaço, sentar-me no teu sexo, sentir-te em mim. Roçar o corpo num vaivém delicioso, vagaroso, lento ou vigoroso.
Ser contigo e em ti a luxúria, o instinto selvagem, os desejos profanos,as gotas de mel, o paraíso, o delírio a loucura e a doçura.


A noite que se adianta lá fora no meio dos gritos dos bichos, cá dentro uma aurora misturada com gemidos, sabores, cheiros e odores de corpos misturados. Em gritos soltos ou mudos, em silêncios de olhares que dizem tudo Quando não se sabe onde começa um ou termina outro. No encaixe perfeito.
Um amanhecer perfeito.
O parar e recomeçar. Outra vez.
Aquecer por dentro, derreter-me por fora…


E no quarto o silêncio dos corpos que repousam, esgotados.
Deixar neste mar de lençóis brancos amarrotados, todos os prazeres carnais, desejos satânicos, os instintos sexuais, o fogo, as peles rasgadas, o suor que mantém a alma prisioneira…
Deixar os restos de nós que não queremos carregar, deixar esperma, tentação, tesão e suor …
Deixar aqui nestes lençóis feitos de mar os caminhos sinuosos por onde tenho andado. Deixar na berma desta cama a vergonha e o pudor. E deixar o sangue correr-me nas veias livremente, sem medo, sem receio, só porque sim.
Recordar o caminho que cruzei e onde esperei por ti.
E levar o cheiro do teu sexo impregnado nas mãos, para não esquecer…

Aos poucos o sol vai rasgar o céu de luz…e eu, com um sorriso de menina de cabelos em desalinho, dentro da camisa de cetim vermelho, vou procurar o abrigo dos teus braços e do teu peito para repousar o meu corpo feliz no teu corpo cansado.
E as nossas almas, que talvez se encontrem no mundo dos sonhos, estarão naquela paz tranquila que tanto ansiamos no mundo das coisas palpáveis para nos sentirmos livres e podermos voar.

Eu sei que será assim. Ou sou só eu?
Serei só eu que tenho medo de acordar e que tu já não estejas cá? Só eu sinto que posso provar-te e gostar-te? Só eu sinto que posso acordar com o amargo travo a pecado na boca? Só eu sinto que quando amanhecer e eu acordar, com o raiar da aurora, o meu palácio frágil de cristal se tenha desfeito em mil pedaços? Só eu sinto que posso acordar e que a água salgada do mar tenha desfeito o meu castelo de areia?

“O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar
O amor é grande e cabe no breve espaço do beijar…”

Para todas as gaivotas que mesmo tendo asas, não conseguem voar.
Mas eu ainda acredito…porque basta querer.
E um dia, quem sabe?, quando a vontade de voar aflorar a pele, se rasgue o azul do céu a cada bater de asas, que mesmo frágeis, nos podem deixar partir e sentir liberdade…
E em voos rasantes sobrevoar todos os castelos de areia e de cristal...
Quem sabe um dia?


publicado às 02:43

De partida...

Confessado por Mulherde30, em 16.07.06

mauricio dobke.jpg
Fotografia: Mauricio Dobke


O tempo é de partida. De fazer as malas e seguir sem olhar muito para trás, mesmo sabendo que o coração fica preso a cada pedaço do cheiro da minha terra.
Não sei por quanto tempo... sei que vou e que não quero. Não quero sentir-me uma estranha numa terra estranha, quando me sinto estranha em qualquer lugar.


Não, não é uma despedida... é um até já. Como se vos esperasse ali ao virar da esquina, como uma ida à praia num dia quente como o de hoje, para deixar o sol queimar a pele e deixar a alma dormente, para não sentir, para não ver, para não viver.

Parece-me que os dias passam e eu transformo-me lentamente numa mulher de olhos tristes. Uma mulher de olhos e sorriso tristes que mesmo querendo, já não consegue chorar.

Os dias que se mostraram de revolta, deixam que cheguem, de mansinho, tempos de paz.
Ficam os amores... aqueles que podiam ter sido e não foram.
Aqueles que magoaram porque nunca se deixaram voar.
O homem que sei que quis mas que não quero mais.
Todas as paixões que ficaram por nascer, as que morreram antes de nascer e as que nasceram condenadas ao fracasso.

Mas o amor, esse carrego-o comigo para onde quer que vá...

É a falta dos abraços dos braços que se querem. Que estavam sempre e depois nunca mais... é a falta do toque de pólen que arrepia a pele dos dedos que se entrelaçavam nos nossos dedos. É a falta de me ver num olhar...
É por todas as faltas que sinto aqui que vou embora.
Porque já não sou capaz de esperar...

"You're alive as long as it's hurting..."

publicado às 13:27

Por amor à camisola...

Confessado por Mulherde30, em 02.07.06

futebol.jpg
Fotografia: ?

Aqui posso confessar-me.
Não sou adepta de futebol, é verdade. Mas nesta altura, em que o país torce pela selecção, em que o coração parece sair da boca em cada segundo que passa, em cada lance, em cada jogo, nem eu posso ficar indiferente. É o meu país, não podia ser de outra maneira.
A bandeira está lá colocada na varanda... orgulhosa.
Ver um país unido, esquecendo tudo o que nos divide.

Dá um nervoso miudinho, um aperto....o pensar que somos milhões a colocar uma esperança nos pés e na táctica dos nossos jogadores, aqueles que foram escolhidos (e bem) para nos representar nos relvados.

E torço portanto com o meu orgulho português. Revolto-me nas situações às quais não dou nome porque não sei se é canto, se é fora de jogo, mas os meus jogadores têm sempre razão. Cartões amarelos? Vermelhos? Não, nada disso.... o árbitro que o mostre aos outros, não aos meus (mesmo que eles mereçam). É uma espécie de ternura que se cria por cada um.
Mas enfim.... o meu favorito, o Ricardão. Sem deixar de elogiar todos os outros, mas a balança tende a pender para um lado. A minha tende para o Ricardo.
Com aquela postura de Deus do Olimpo, sério....como se tivesse nas luvas todos os poderes do universo.
Pronto, sempre que o vejo numa defesa, lá vem a lagrimita ao canto do olho, de comoção.


Ontem, só vi mesmo o final, porque em viagem não pude ver o jogo. E nem posso ouvir o relato que me dá uns nervos que sou bem capaz de telefonar para a rádio e mandar vir com os gajos, já que exageram sempre em tudo, capazes de provcarem um ataque cardíaco a alguem que como eu, tenha um coração fraco.

Mas vi o final.... com aquela angustia de coragem que se deposita noutras mãos.
Com os olhos a rasarem de água, com o sorriso que nasce de dentro.


Até os comemos!
Claro, tudo por amor à camisola, sem esquecer a camisinha, já que os vamos fo***!

publicado às 14:26


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