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Demónios...

Confessado por Mulherde30, em 31.01.07

baly.jpg
Fotografia: Baly


Estão noites dão cabo de mim. O luar parece ter o poder de fazer vibrar todos os demónios e fazer-me sentir possuida pelos desejos satânicos... como se tivesse o diabo no corpo.


Neste hipnotismo, só apetece sair por aí, procurar sangue novo, para me correr nas veias a força da vida. Para fechar os olhos e estar no topo do mundo, e sentir o pulsar do universo em cada bater do coração...

Esquecer... libertar-me... e voar.

Em jeito de confissão, no meio desta tentação, sou bem capaz de me deixar tentar.

publicado às 19:42

Feliz dia...

Confessado por Mulherde30, em 29.01.07

edson nogueira -desejo.jpg
Fotografia: Edson Nogueira


Só quero dizer-te que te desejo um dia feliz. Quero dizer-te que quero saber-te todos os dias feliz. Que nos outros, lutes por isso. Que tenhas coragem, que sigas o teu coração sempre que te depares numa encruzilhada e não saibas por onde seguir. E sempre que a estrada for sinuosa, poeirenta e dificil, mesmo que não a possa fazer por ti, deixa-me dar-te a mão e fazer contigo parte do caminho.

Queria ter uma varinha de condão e dar-te o prazer do aconchego das noites frias de Inverno, dar-te o azul do céu nas manhãs de Primavera, dar-te o cheiro a maresia em dias de Verão, em passeios à beira mar, quando baixa a maré... e o som tranquilo de folhas secas que se rasgam a teus pés em pleno Outono e o som da água de um rio que corre devagar. Queria contemplar o brilho da lua cheia, de uma noite como esta, reflectida no teu olhar.
E queria tanto, tanto mais...
Não tenho varinha de condão... mas fecha os olhos. Sentes a brisa? Sou eu...


Obrigado por fazeres parte da parte bonita da minha vida.
E quero brindar contigo, porque tudo o que é grandioso em nós, precisa ser comemorado. E acredito que o que temos, é valioso...
Deixa-me dar-te um beijo, um abraço e dizer-te que mesmo que a vida vire tudo do avesso, vou querer-te sempre bem. E que se mantenha esta cumplicidade que um dia criámos e que soubemos manter, para sempre. Que não desistas de mim, enquanto sentires que vale a pena.
Vou sussurrar-te ao ouvido... Gosto muito de ti...

"Recomeça... se puderes, sem angustia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade. Enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade..."

publicado às 22:22

Despedida...

Confessado por Mulherde30, em 28.01.07

despedida.jpg

Podíamos ter sido... mas não fomos.
Podíamos ter dito algo mais que "adeus"... mas não dissemos.
Podíamos ter sido felizes... mas nem sequer tentámos.
Podíamos ter arriscado... mas não o fizemos.

Fica um beijo, um abraço. Fica um peito de coração comprimido e os olhos que transbordam a saudade do que nunca nos foi permitido viver. Por medo? Talvez...
Tu segues um caminho, eu outro. Talvez um unico caminho seja demasiado pequeno para os dois. Mas vou sentir-te a falta, de verdade. E sei que lembrarei muitas vezes de ti.
É hora de te deixar, finalmente partir. Mesmo que ao entrares nesse avião, leves tambem um pouco de mim.
É apenas um fim, ditado afinal, logo no incio de tudo. E quem sabe um dia?

Se não for pedir demais, aí dentro do teu peito, não me deixes morrer.
Aqui de longe, pedirei sempre a um ser maior que olhe por ti, que cuide de ti, que esteja a teu lado... no fundo, o que eu um dia quis que fizesses por mim. Mas não foste capaz.

Eu gostei mesmo muito de ti... e não pensei que me doesse tanto dizer-te adeus, mesmo sabendo que já te foste embora há muito, muito tempo...

"Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
A noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio

..."

Até um dia.

publicado às 21:10

Até um dia...

Confessado por Mulherde30, em 20.01.07

miguel afonso.jpg
Fotografia: Miguel Afonso


Chega-te a mim… vou dizer-te porque me dói. Talvez depois percebas porque me dói cá por dentro, sabes?
O coração, o peito, a alma. Os olhos irrequietos e tristes que não encontram onde poisar.
Houve um tempo em que sentia a tranquilidade sempre que os teus olhos olhavam para mim.
Pensei que o amor podia ser a cura. Mas afinal foi o mal.
Pensei que as palavras eram verdade. Mas afinal eram mentira. Tudo foi mentira. Talvez até o amor.
Pensei que aquele homem que me mostravas ser, eras tu. Mas errei.

É sempre assim, não é?
Quando um dia acordamos e percebemos que passámos metade do tempo à espera. Quando sabemos que nada virá. Quando cá por dentro já sabíamos que não havia o que esperar. Quando já nem me sentia com idade para esperar pelo que quer que fosse.
E esperei mesmo assim.
Talvez sejam as coisas tontas que dizemos e fazemos por amor. Que queremos seguir e andamos às voltas, sem nunca sair do lugar. Sempre com uma esperança renascida de que talvez… mas nunca é.
Depois é tempo de aceitar.
E passamos outro tempo a tentar não lembrar. Não lembrar aquilo que o nosso coração teima em não esquecer.
As esperas são sofrimento, sabias? Rebentamo-nos por dentro nas noites que seguem os dias em que não há uma voz, um estar perto. Nada. Há apenas nada. Vamos ao limite. Chegamos à linha em que ou saltamos e caímos, ou decidimos caminhar, voltar atrás. O que não sabemos é que o caminho de volta, muitas vezes, é o mais doloroso.
Um dia dizemos basta. Um dia dizemos que nunca mais.
E depois um dia, mais tarde, voltamos a repetir tudo outra vez. Outra vez pensamos que sim, afinal é não.
Tudo se repete quando se ama com o lado errado do peito. Até as coisas erradas. Porque gostamos. Porque sabemos o que é gostar e queremos sempre ter de novo o coração assim, aconchegado noutro coração.
.

Pouco importa. Um dia já não sentiremos o peito apertado. Já não teremos os olhos rasos de água. Já é um doer devagar, que mói mas não magoa tanto. Já não sentimos o coração a soluçar baixinho.


É por isso que me dói…
Precisei acreditar em ti. E acreditei. Que podias gostar de mim, de verdade. Sentia-te como um anjo que me caiu no prato da sopa. Precisei depois acreditar que afinal, eu não era assim tão importante.
E precisei sorrir ao mundo como se fosse a mulher mais feliz, quando me sentia a mais vazia, incompleta e só.
Quanto mais te queria esquecer, mais te lembrava. Eras tu em tudo. Nas musicas, nos lugares, nas palavras, nos sorrisos. Sempre tu. Porque estavas cá. Mas eu já não te sentia, ou já não queria que estivesses aqui, não sei.
Mas foste e serás sempre alguém que lembrarei com carinho. Porque não esqueço do bater do teu peito. Não esqueço os teus abraços nem o teu riso. Não esqueço que me fizeste sentir alguém mesmo muito especial, na parte do tempo em que me lembravas que pensavas em mim. Não esqueço que me fizeste sentir o sangue correr nas veias e fazer loucuras. Não sei se por ti, se por mim. E cá por dentro, os dias felizes, mesmo assim, se tornam maiores que os meses tristes.
Não esqueço que me provaste que eu era capaz. Outra vez. Depois da desilusão, voltar a voar.
Fui capaz e serei sempre. Porque cometerei todos os erros repetidamente. Quem sabe só assim a vida faz sentido? Quando por amor nos esquecemos de todas as lágrimas que alguém nos causou?
E aprendi também que quanto mais transparente for, mais invisível me torno. Não posso ter este coração na boca nem os pensamentos na ponta da língua. Preciso aprender o jogo. E o jogo é ganho por quem mais esconde.

É por isso que me dói… Não sei se entendes o que te quero dizer. Nem sequer sei se vale a pena dizer-te o que quer que seja. Porque quando se fala do que se sente, quase nunca o outro sabe realmente do que estamos a falar.
Mas dói-me mesmo assim…
Porque só agora, lutando contra o tempo, és capaz de me olhar nos olhos e explicares o porquê das ausências. Só agora, quando agora já tudo passou, me dizes o que tanto quis ouvir numa época em que só precisava saber isso. Só agora me abraças e me dizes a chorar que sempre gostaste de mim. (gostaste? Como podemos gostar quando só fazemos sofrer?) Como se isso mudasse o rumo à história. Como se só por falares, tudo se transforme cá por dentro. Como se ao dizeres que eu te vou acompanhar onde quer que vás, toda a memória dos dias maus se apague em mim.
Mas agora, tu sabes, é tarde demais.
Guardaste as palavras escondidas no peito, por medo. E deixas que voem em liberdade quando já não podem trazer um sentido de liberdade a ninguém. Sofri tudo o que tinha para sofrer. E não vou deixar que entres outra vez para me abalar a paz, a vida.

Ficou tanto por dizer… mas agora, já pouco importa, sabes? Podia repetir todas as palavras, voltar a dizer o que vai cá por dentro. Mas sempre o disse. Tu já sabes.
E há horas em que as palavras não dizem tudo, horas em que não conseguimos que os outros entrem em nós só para saber.

Quero mesmo é que sejas feliz, que consigas amar… mas com o lado certo do peito. E que o medo nunca te faça deixar de tentar. Que o medo nunca te faça deixar de dizer as coisas boas, enquanto é tempo. Enquanto vale a pena. Nas despedidas já não temos nada a perder, não é? E vê tu que foi preciso dizer “até um dia” para que fosses capaz.
Vive assim… dizendo as coisas boas que tens aí por dentro, sentindo que já nada tens a perder. Sabes?, é que gostar também é dizer que gostamos. Porque gostar também é aliviar a dor daqueles que nos querem bem.
Que se olhares para trás lembres da mulher que fui enquanto te amei. Porque afinal, as minhas histórias ficam sempre por viver.

É por isso que me dói o peito. Porque depois de tudo não consegui dizer-te que houve uma altura em que, cansada, rendi-me. E deixei de te procurar. Obriguei-me a isso, entendes? Não porque já não gostasse, mas porque precisava. O que não podia era sentir que rastejava por amor, que mendigava por um resto de qualquer coisa. Porque não sou assim. Porque quero e mereço mais.

Fiquei no meu canto esperando que tudo passasse. Porque sempre passa, não é?
E depois, mais tarde, esqueci-te, desisti e abandonei-te… por sentir que era precisamente isso que tinhas feito comigo…


E eu!?
Eu vou viver. Vou carregar o coração nas mãos e colar todos os pedaços. Vou viver da melhor forma que sei, porque é tudo o que posso fazer. Vou olhar toda a imensidão do céu e toda a vastidão do mar para sentir paz, ou outras vezes pequena. Vou sorrir uns dias e nos outros lutar por isso.

E Eu!?
Ora, eu vou ser feliz…

"Talvez por não saber falar de cor, imaginei.
Talvez por não saber o que será melhor, aproximei.
"O meu corpo é o teu corpo, o desejo entregue a nós".
Sei lá eu que queres dizer...
Despedir-me de ti, adeus um dia voltarei a ser feliz...
Talvez por não saber falar de cor, aproximei...
Triste é o virar de costas o último adeus, sabe Deus o que quero dizer.
Obrigado por saberes cuidar de mim, tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou...
E se ao menos tudo fosse igual a ti.
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor, já não sei se sei o que é sentir.
Se por falar falei, pensei que se falasse era mais fácil de entender...
É o amor que chega ao fim, um final assim
assim é mais fácil de entender...

publicado às 13:40

Será o fim um inicio?

Confessado por Mulherde30, em 15.01.07

Philippe Pache.jpg
Fotografia: Plilippe Pache


Não sei se me sinto triste, ou se me sinto feliz. A verdade é que vivi algo tão surreal, que me sinto ainda, a planar.


Há horas em que não sei que caminho seguir. Horas em que olho ao redor e não encontro um trilho por onde alguem já tenha passado. É quando me embrenho por lugares que nunca conheci, e descubro, do outro lado, algo que nunca imaginei.
E basta um quase nada, para mudar a nossa vida, para sempre.

Porque há momentos em que nos chamam e o medo não nos permite ir. Mas há momentos em que nos dizem, antes do raiar da aurora, "anda comigo, vamos fugir, vou-te buscar".
E o caminho fica mais fácil de fazer. A dois. Mesmo sem entender, vamos. Porque a algum sitio tudo isto nos vai levar.

Foi preciso sofrer, para que só agora, tanto tempo depois, encontre as respostas. Agora, que já nada há que possa mudar o rumo à história, me dizem que precisam de mim, que querem dormir nos meus braços.
Foi preciso chegar-se ao limite para deixar sair o que se guardou tanto tempo. E é na hora da partida que se sente que é preciso dizer, mesmo que se pense que os outros sabem, que os outros sentem o nosso amor.
Nessa linha ténue entre o estar perto e ter muitos kilómetros de chão a separar-nos, alguem nos diz que somos importantes, que há um sentimento grande no seu peito, com os olhos rasos de água. E tudo o resto fica tão pequeno, todas as esperas se tornam tão insignificantes... e voando, pairamos e planamos lá do alto naquela tranquilidade que se sente sempre que dizemos que apesar de tudo, afinal, tudo valeu a pena.

- Sabes, há momentos em que, com as asas feridas, não consigo voar.
E uma voz sussura-nos ao ouvido:
- As minhas asas são suficientes para nós dois...

Como confissão: Não sei se existem anjos ou destino, mas se existem, com certeza gostam de mim. É que ainda há pessoas de quem já pouco esperamos o que quer que seja, e do nada, chegam-nos de mansinho, em pezinhos de lã, e nos viram a vida do avesso. Mesmo que nessa mudança seja preciso dizer: até um dia. Porque a ternura, essa, dificilmente será esquecida. Porque o carinho, esse, dificilmente nos deixará o peito. Porque a memória de coisas tão sublimes, dificilmente se apagará. E a magia da vida acontece... enquanto vivemos.

Vocês, amigos de sombras, acreditem que este deve ser o momento que mais me custou partilhar convosco. Talvez por isso tudo vos pareça sem sentido, não sei...
Porque me custa encontrar as palavras, porque tudo ainda me está à flor da pele, porque as lágrimas me teimam em cair, porque os dedos não deslizam pelas teclas, porque a esta hora, ainda escuto as palavras, ainda tenho os cheiros, ainda queria voltar atrás e ter de novo aquele abraço de corpos enroscados, que nos entrelaça a alma, quando tudo o que desejamos é apenas isso. Porque o que vivi, o que senti, foi grandioso demais. E acima de tudo, porque me custa escrever enquanto tenho o peito assim, apertadinho.

publicado às 00:01

Escreve-me...

Confessado por Mulherde30, em 11.01.07

carlos santos.jpg
Fotografia: Carlos Santos


Hoje precisava de ti...
Não sei se do teu olhar, das tuas mãos, do teu sorriso, da tua voz ou simplesmente da tua escrita. As palavras têm o poder de fazer nascer de novo a esperança, da mesma forma que conseguem pôr por terra qualquer ilusão.
Muitas vezes é a ausência das palavras que faz com que tudo fique vazio, sem sentido. Hoje sinto-me um pouco assim, vazia, porque aos poucos, todas as tuas palavras se perderam por becos, por montes, por vales em forma de eco, mas sem chegarem a mim. Eu, que preciso das tuas palavras.

As palavras encantam-me. O poder que elas contêm, sabes?, por isso me é sempre tão importante conseguir acreditar no que me dizem as bocas, no que me escrevem as mãos.
Como se fosse o principio e o fim de tudo. Mesmo que a vida já me tenha ensinado que no fim, resta nada. Nem sequer as palavras...

Hoje, particularmente hoje, sinto-me cansada. Das palavras. De as escrever, repetidamente, misturá-las umas com as outras para te dizer o que existe cá por dentro. Deslizam de mim pela ponta dos dedos mas não dizem o que sinto, o que quero. Escrevi-te tantas só para te dizer... mas não fui capaz... parece-me que escrevi muito, mas mesmo assim, não o suficiente para que através delas entrasses em mim para saberes como é.
Esgotei as palavras. Enquanto me desgastei nas esperas. Inevitavelmente teria de ser assim.
Hoje queria dizer-te tantas coisas e faltam-me as palavras...

Este silêncio em vez de ti, corrói por dentro. E digo mil vezes em voz alta que preciso esquecer-te, para ver se consigo escutar-me. Eu sei que chegará a hora em que será assim. Eu sei...
Sei tambem que o que mais custa nem sequer é terminar, mas sim aceitar que terminou.
Vou ser capaz, vais ver. Tu não serás uma decepção maior que todas as outras. Irás ficar aqui num cantinho qualquer do meu coração, para que se um dia me cruzar contigo, possa olhar-te nos olhos sem ter que baixar os meus.
Todas as histórias de amor são iguais... tambem tu um dia já não me irás doer.
Queria dizer-te tantas coisas... mas este peso nos ombros que o teu silêncio me traz, estas mãos tão vazias, tão cheias de nada...
Talvez chorar me aliviasse o peito, mas já não quero. Não quero chorar, mesmo que precise.
Sabes aquelas horas em que te olhas ao espelho e já não sabes de ti? Aquelas horas em que olhas para um caminho percorrido e sentes que todas as esperas foram vãs? Todos os dias em que pensaste que talvez fosse hoje, e nunca foi? Que a cada telefonema, a cada carta, acreditaste, e tudo continuou suspenso? Não sei se sabes do que falo... talvez esta seja tambem uma daquelas cartas em que tanto escrevo e no fim continua tudo por dizer, porque não consigo transmitir toda a confusão de sentimentos que existe dentro de mim.

Sabes aquelas horas em que sentes uma vontade a nascer-te por dentro de desistir? Sinto-me assim. Porque ainda te quero. E não te quero mais. Porque ainda te espero. E não quero esperar mais...

Posso dizer-te que te sinto a falta, sabes? E talvez fique tudo dito.

"Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco."

Carlos Drummond de Andrade

publicado às 21:45

Desejo dormente...

Confessado por Mulherde30, em 07.01.07

kazuo Okubo.jpg
Fotografia: Kazuo Okubo


Adormeci a pensar em ti. E acordei com um desejo de voar... contigo.
Queria esquecer o mundo e encontrar-me na tranquilidade de quem se dá só porque sim. Só porque nem sempre é fácil decidir entre o querer e o dever. Só porque há desejos que pulsam em nós e não nos deixam descansar. Só porque nos sentimos perdidos e dizemos que não, quando só queríamos esquecer a vida e dizer que sim. Deixando as horas e o mundo correrem devagar.
Queria ser livre contigo num qualquer lugar, sem pressa, sem medo. Deixar-me tentar, só porque tenho vontade de ti.
Queria que fôssemos capazes de viver e não apenas sonhar.
Chegar-me mais perto. Perder a vergonha e dizer-te sem pudor que quero fazer amor contigo. Agora.

Abraçar-te, encostar a minha boca à tua, procurar-te a língua. Embrenhar os meus dedos nos teus cabelos, tocar-te o rosto. Olhar-te. Sentir-te o pulsar do sexo, mil mãos em mim, docemente, nas nádegas, nos seios, nas coxas, na cintura, nas costas, no ventre.
Despir-te vagarosamente, espalmar a língua em cada pedaço de ti, demorando-me nas curvas do teu corpo, viajando para o sul do teu ser.
Encostar-te a paredes, rebolar na cama, no chão. Só porque o amor é grande, fazê-lo contigo, construindo-o.

Abocanhar-te o sexo, roçar os corpos, rasgar a pele. Por prazer. Por desejos contidos. Por vontade. A boca, a língua, a saliva mergulhada na carne do teu sexo duro, de veias luzidias, o teu sabor em mim.
Ser êxtase, sufoco, delírio, suor e prazer. Deixar voar os desejos satânicos e profanos, o tesão. Ser o verso e o reverso de ti. Puxar-te para mim, querendo-te num balanço como as ondas do mar, de arrepiar a pele e os sentidos.
Deslizar o corpo suado, molhado, colado ao teu. Sentar-me no teu regaço, descendo devagar. E tu a procurares o centro de mim, enchendo as tuas mãos nas horas em que não se pode esperar.
Movimentos vagarosos ou vigorosos. O mel no ventre, nos seios. O orgasmo. A libertação. O descontrolo. Soltar os gemidos.
Os corpos cansados e entrelaçados, perdidos e achados no meio de lençóis. O descanso. A tranquilidade. O recomeçar.
Banhos temperados, perfumados, a cama mesmo ali, gritando os nossos nomes num silêncio quebrado pelos sons do prazer. E nós na pressa de quem não quer acabar.
Sentir que a vida, nem sempre se passa lá fora chamando por nós. Muitas vezes ela está presa em quatro paredes, dentro de nós, enquanto uma espécie de amor encantado une as almas de quem se quer bem.

Enlouquecer numa loucura sã. Seguir a vontade e esquecer o resto do mundo. Tornar a vontade superior à culpa sem pensar no depois.
Desejos dormentes, latentes, que palpitam por dentro de mim. Como queria ter-te aqui, agora... para sentir os teus dedos no lugar dos meus.

publicado às 17:05

Bom fim de semana...

Confessado por Mulherde30, em 06.01.07

sexo oral.jpg

Quero desejar um bom final de semana.
Apeteceu-me. Pronto.

Não posso dizer muito mais... tenho a boca ocupada. heehehehhe...
(tal como a lua, tenho fases. E a fase do meu humor estranho ainda não passou...)


publicado às 17:45

Lua cheia...

Confessado por Mulherde30, em 03.01.07

sombra.jpg
Fotografia: Vihuol

Hoje a noite é de lua cheia...
Sentir na pele o toque que causa arrepio. Sentir na boca o molhado dos teus beijos. O roçar do corpo, devagar.
Olhar-te e ver-me por dentro.

Quero ir sem medos nem amarras. Quero ir sentindo toda a liberdade em mim.
Abraçar-te e ter o teu abraço, o teu regaço.

Sentir o cheiro que inebria os sentidos. Sentir tudo sem pressa de acabar. Estar perto sem pensar se amanhã ainda estarás.
Sorrir e ter as tuas mãos entrelaçadas nas minhas.

Eu sinto que vale a pena. Vale a pena sentir.
Espera por mim... hoje que a noite é de lua cheia.
Vamos ver as nossas sombras dançarem, vamos criar sombras chinesas.
Vamos desenhar sonhos e realizar desejos. Tornar tudo muito maior do que possa ser, transformando um pouco, no melhor de tudo, dando a tudo o sabor a eternidade.

Esquecer as amarras que ainda nos prendem, transformar a realidade em magia, por uma noite apenas. Mesmo que seja apenas por uma noite...
Apenas partir para quem sabe sentir. Se ainda sou capaz. Capaz de gostar de quem gosta de mim.
Partir...

Não vai ser em vão, pois não?
Espera por mim...

publicado às 19:58


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