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A morte

Confessado por Mulherde30, em 18.04.05

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Nunca tive contigo uma relação próxima. Mas a morte revolta-me sempre. Dá aquela raiva porque sei que tambem na tua vida ficou muito por fazer, sonhos por realizar, palavras por dizer e por ouvir. As palavras bonitas, as que demonstram o bom que temos em nós, quase sempre ficam presas na garganta...é tão mais fácil dizer as palavras que magoam!

Mas eras meu tio. Eras algo meu...nas minhas veias corre parte de um sangue que tambem corre nas tuas. Corria...

Fui à igreja...há quanto tempo não sentia essa paz que as paredes frias de pedra transmitem. Frias como o teu corpo.
Vi as pessoas que se ajoelharam e rezaram a um Deus com fé, por ti. Uma fé que não se explica, ou se tem ou não. E tu agora já sabes se esse Deus existe, se a vida, afinal, é só isto. Agora já sabes.

Vi os teus filhos.... o mais velho és tu. O mesmo porte, o mesmo sorriso. E não lhes consegui falar por falta de coragem. Porque sei que nestas horas não há palavras que nos possam aliviar a dor.

Uma familia tão grande... e encontram-se apenas para chorar, nunca para rir. Uma familia dividida pela distância...uma distância que se torna tão perto nos momentos de dor.
Eras o irmão mais velho...e morreste nos braços da tua irmã mais nova.
Tudo isto me atormenta. A avó disse-me que não devia viver para assistir a isto, que a vida não devia caminhar assim...e o meu peito apertou-se.
Os teus irmãos, uniram-se num circulo de choro...e naquele abraço a corrente já está partida, pela segunda vez... naquele círculo já lá faltas tu e a tia. Choram porque há um pedaço neles que fica vago...que fica apenas com lembrança. Chegou a ser cruel vê-los naquele pranto...cada um pensando talvez nas memórias que têm de ti, nas brincadeiras de crianças...e chorei com eles.

Colocaram a terra por cima de ti. E pronto. A vida termina aqui. Já nada mais há que possas fazer, nem nós por ti. A chuva cai miudinha como se tambem o céu chorasse, como nós.
As flores joguei-as fora. Pareceu-me ridiculo deixar-tas ali. Logo eu, que nunca te dei uma flor sequer enquanto as podias cheirar.

Lembro-me que em miuda te dizia para ires comigo às cerejas. E tu, na tua paciência, ias. Colocavas-me às cavalitas para que eu chegasse àquelas mais amadurecidas pelo sol...e eu dizia-te que eras tããããão grande. Sentávamo-nos na sombra da árvore; eu a comer as cerejas que tinha no regaço e tu a fumares o teu cigarro...e falavas-me de um avô que nunca conheci. Eras tão grande, tio. E hoje esse grande homem tombou, e está ali, debaixo de uma terra fria.

Faço todo o caminho de regresso a casa, já noite, a ouvir o choro da minha mãe... e não consigo deixar de chorar com ela. E sei que nestas horas não choramos só por quem parte, choramos tambem pela mágoa de quem fica, mágoas que levam tanto tempo a curar.


Se existem, neste instante peço aos anjos, arcanjos e serafins, que te recolham de braços abertos num mundo que espero ser bem melhor que este...

publicado às 12:40


Confessionário

De karina oliveira a 18.04.2005 às 13:30

A morte é daquelas coisas que jamais vamos aceitar e que custamos a perceber. Só te digo que o pior da morte é a saudade infinita que temos das pessoas que não voltaremos a ver. A minha segunda mãe (a minha avó materna) tb faleceu faz 2anos em Setembro e não há forma de curar a saudade...não há forma de esquecer, não há forma de voltar a dizer que se ama essa pessoa. Quantas vezes sonhei que lhe gritava a palavra AMO-TE desalmadamente só com o objectivo de que ela percebesse que é parte de mim e vai ser sempre. Olha, não escrevo mais para não chorar. Um beijo e lamento....karen

De karina oliveira a 18.04.2005 às 13:30

A morte é daquelas coisas que jamais vamos aceitar e que custamos a perceber. Só te digo que o pior da morte é a saudade infinita que temos das pessoas que não voltaremos a ver. A minha segunda mãe (a minha avó materna) tb faleceu faz 2anos em Setembro e não há forma de curar a saudade...não há forma de esquecer, não há forma de voltar a dizer que se ama essa pessoa. Quantas vezes sonhei que lhe gritava a palavra AMO-TE desalmadamente só com o objectivo de que ela percebesse que é parte de mim e vai ser sempre. Olha, não escrevo mais para não chorar. Um beijo e lamento....karen

De Aragana a 18.04.2005 às 13:55

Nunca sei dizer nada em alturas destas. Apenas que é o temos como única certeza da vida - que iremos morrer. Se antes ou depois dos outros... dos nosso entes queridos... é que é a incógnita. E que é sempre duro - é.

De OlhoVivo a 18.04.2005 às 13:57

Olha para o céu e sorri, ele está lá.Beijos e força *******************

De LM a 18.04.2005 às 14:38

Onde quer que seja o seu lugar.....................DESCANSE EM PAZ!!

De Ariane a 18.04.2005 às 15:29

Na verdade o que temos de pior para enfrentar é perder quem nós amamos, e sei pk também já senti a perda de uma pessoa que muito amava e já lá vão muitos anos, e volta e meia meu pensamento está voltado para ela!Embora cada pessoa é um caso sei como te sentes em parte, por isso lamento o que aconteceu!!! "Se alguma coisa ferir teu coração deixa somente uma lágrima rolar para que seja a gota com que Deus fará brotar uma rosa para de dar" beijos, lamento imenso!!!

De mulherde30 a 18.04.2005 às 16:54

P/ KARINA: infelizmente sei bem o quanto custa perder quem se ama... neste caso não é bem assim, mas os funerais pesam-me sempre...b'jinho

De mulherde30 a 18.04.2005 às 16:58

P/ ARAGANA: como eu...nunca sei que palavras usar...parece que nenhuma faz sentido... mas todos vamos. Só há duas formas de estar na terra ou em cima ou debaixo...b'jinho

De mulherde30 a 18.04.2005 às 17:01

P/ OLHO VIVO: não estão todos os que partem? afinal quem faz as estrelas senão quem nos deixa e continua a iluminar o nosso caminho?...b'jinho

De mulherde30 a 18.04.2005 às 17:07

P/ LM: que finalmente descanse em paz...é o que espero tambem...b'jinho

Diz lá


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