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Asas de cristal...

Confessado por Mulherde30, em 14.06.05

Houve um tempo em que me sentia quase pronta a voar, mesmo tendo as asas feridas.
Alguem me encontra de mansinho, me dá a mão, caminha comigo.
Somos dois a seguir um caminho que não sabemos onde nos vai levar, onde não se pergunta quem é o outro que chegou, chegou apenas. Somos dois com medo, mas arriscamos.

Eu vou porque sou capaz de acreditar outra vez. Não perco o receio de voltar a dar-me e perder, mas mesmo assim, vou de mão dada com quem acredito.
Dou-me devagar, para não pisar os corações já tão feridos.
E perdi. Outra vez.

Abri a porta de uma vida já tão mutilada, com medo que ao fazê-lo viesse mais dor. E quando quiz escancarar o coração já a vida estava de novo vazia, já alguem tinha ido embora sem fechar a porta.
Mas a vida é isto: perder.

Agora, aquele pedaço que dei faz-me falta. Para ocupar o espaço vazio da alma, a dor que mata devagar, para enchugar os olhos rasos de água.
Inevitavelmente chegaria o dia de baixar os braços, de deixar de lutar. Já nada há que possa ser feito. Já não depende de mim.
Esperei minutos que viraram horas, horas que viraram dias, dias que viraram semanas. Pensei que fosse aguentar mas não. Já não aguento mais. Estou no limite.
Só pedi uma oprotunidade para ser ouvida. Sinto-me ridicula e estranha por finalmente querer dizer as palavras....mas ganhei essa coragem....talvez tarde demais. Ganhei a coragem quando as palavras já não faziam a menor diferença, não mudariam nada, eram tardias. Mas rebentei-me por dentro para chegar a esse momento, à hora de dizer tudo. Mas o momento nunca chegou...

De nada vale fazer balanços, pensar que podia ter feito desta ou daquela maneira, de nada valem os arrependimentos ou agradecimentos. Estes balanços são faceis porque já não adianta, já nada muda.

Precisei de respostas para arrumar esta história. Um quase desespero por uma razão, uma. Arrumar a história e poder partir; deixar partir. Pedi demais.
E bastava-me um resto de carinho que ainda podesse existir, esquecido, num peito imenso, um carinho que me ajudasse.

Quiz falar o que ninguem quiz ouvir; quiz ouvir o que ninguem me falou. Como se a vida dependesse dos segredos que certas palavras encerram...
Como este caminho podia ser agora tão mais fácil, como tudo podia ser tão mais simples.

Os nosos pensamentos, os nossos sentimentos pouco importam num mundo que não pára para pensar se será justo.
É esta espera que me mata, me deixa numa ânsia que não me permite respirar, esta duvida que me tortura a alma carregada.
A medo arrisquei trilhar aquele caminho e mais que perder, perdi-me.

Queria de novo a sensação da plenitude de quem se dá por amor, ou por uma forma de amor. Pensar num inicio de uma história tão bonita quando afinal já tinha acabado. Pensar no fim sem saber que o era.
Acreditar no acaso.
E não sei... já não sei. Invento respostas, mil respostas e continuo sem saber a verdade.

Sento-me num banco de jardim, fumo um cigarro e vejo aquele cão vadio que se chega a mim abanando a cauda. É como eu: vagueia em busca de um carinho, de uma ternura que seja.

É sempre mais fácil virar as costas e partir que ter a coragem de ficar para enfrentar as palavras. Para entender e fazer entender. Falar. Para que a história não fique mal contada nem mal acabada.
As histórias podem ser enterradas num sitio qualquer... mas há sempre um melhor lugar para enterrar um amor que podia ter sido e não foi.

Chegou o momento de escolher: continuar esta espera ou esquecer. Luto pela segunda, estou cansada. Vou habituar-me à ausência...
Haverá uma noite em que o sono chegará tranquilo, no dia em que a esperança já tão pequena se tenha finalmente extinguido.

Sinto que a vida estagnou. São os homens que conheço e com quem não consigo estar por sentir que traio o meu coração. E sou o ser mais pequenino, mais insignificante por me sentir assim.
É por isso que escrevo, para de uma forma ou outra aliviar a dor. A impotência que nos destrói. As palavras que nos ferem...e as outras, as que vivem dentro de mim tristes e sem repouso por nunca as poder dizer.

O saber aos poucos que em certas vidas não há lugar para nós.
Vidas de pessoas que se querem primeiro encontrar... ou que se afastam para se protegerem.
E certas verdades, mesmo as mais crueis, começam a aceitar-se para tornar a vida menos ingrata, menos cruel.
Eu só precisava clarificar sentimentos. E é sempre tão dificil falar deles!
Mas está tudo aqui dentro, tudo!

Pensei que éramos o melhor par, afinal éramos ímpar.
À beira do abismo acreditei que quem me apertava a mão ia saltar comigo. Mas na hora da verdade saltei sozinha e ao cair senti-me terrivelmente só.
E mais uma vez...mais uma vez, as asas da minha vida tão frágeis, tão cristal.
Quero seguir, levantar o rosto com o orgulho de quem sabe que fez o que lhe foi permitido. E foi pouco...
É hora de lamber feridas, sacudir poeiras, enchugar as lágrimas e seguir sorrindo fingindo ser feliz.


Já perdoei o que nunca entendi. Agora falta o mais dificil: perdoar a mim mesma.

publicado às 15:45


Confessionário

De karina oliveira a 14.06.2005 às 16:12

Como eu conheço esse caminho! E como sei o que é saltar sózinha, sem ter sequer ninguém que me agarre na mão e me poupe a queda! E em breve estarei sozinha!Sim porque o amor da minha vida vai para o lugar dele (junto do filho) e eu vou ficar alone. No mes que vem vou à expofacic. Queres ir ver cmg Ivete Zangalo?

De bibinho a 14.06.2005 às 16:54

Ai como compreendo as tuas palavras!
Partilho também deste mesmo sentimento, um sentimento de vazio que nos invade, e a cada dia que passa parece fazer-nos pessoas mais frias e mais cautelosas à entrega e ao amor!

Identifico-me plenamente nestas tuas palavras.




De milocas a 14.06.2005 às 18:34

"Eu só precisava clarificar sentimentos. E é sempre tão dificil falar deles!
Mas está tudo aqui dentro, tudo!"
Tens tanta razão... ás vezes, não consigo falar, e deixo que pedacinhos do meu silêncio possam falar por mim.
...Deixo aqui um pedacinho desse meu silêncio pra caminhar contigo...espero que o entendas.
Porque também para mim..."É por isso que escrevo, para de uma forma ou outra aliviar a dor. A impotência que nos destrói. As palavras que nos ferem...e as outras, as que vivem dentro de mim tristes e sem repouso por nunca as poder dizer."
Um beijo..


De Ricardo a 14.06.2005 às 19:06

snif.. :'(

De golfinha a 14.06.2005 às 19:53

oi raquel, como eu gostava de te poder ajudar, acredita.... mas a minha inexperiencia no campo amoroso não me permite ser a pessoa indicada.... mas eu acredito q todos nós temos uma pessoa certa pa nós, nem sempre damos com ela à primeira e por vezes nem chegamos a dar, mas não podemos pensar nisso, temos de tentar viver a vida e ser felizes... desculpa se não é isto q precisas ou q queres ouvir, mas... pelo q já me apercebi da tua personalidade, pelo q escreves, és uma pessoa q te entregas totalmente a quem amas... mas, apesar de inexperirnte, a vida já me ensinou q devemos amar sem esperar mto dos outros, embora isso seja mto dificil, acredita, e eu tb amo a 100%, e tb já sofri por isso... gostava mto de te poder ajudar, bjos grandes, e tenta levantar a cabeça

De olhovivo a 14.06.2005 às 22:18

Raquelinha, não chores mais pelo passado. Homem nenhum vale esse sofrimento todo. O que passou, passou.Dá uma oportunidade a homens que te mereçam mas não esperes a perfeição nem os compares com modelos do passado.Acima de tudo, não te escondas! Vive como queres e não como esoeram que vivas ! Beijos e força para o teu presente e felicidade para o futuro:)********

De bcool a 14.06.2005 às 23:47

Estou a ver que isto é um país de sofredoras e sofredores ... Afinal não conseguem fugir ao que acham o triste fado ...
Quando aprenderam a andar caíram n vezes e se calhar, várias vezes ficaram a chorar, não só por se aleijarem, mas também pelo orgulho ferido de não conseguir fazer o que os outros fazem ...
A vida é isso mesmo cair e voltar a levantar-se, perder e voltar a tentar ganhar ...
Há os que têm sorte e que acertam à primeira, há os que têm azar e nunca acertam e depois há os outros que ora acertam ora erram, até que acertam definitivamente ...
Enquanto não se acerta, é uma merda, mas é a vida ...

De helder a 15.06.2005 às 01:36

choro....deixem-me só, deixem-me só!!!!!

De helder a 15.06.2005 às 01:56

por favor, não voltes a por algo, como isto que escreveste no teu blog...dói muito ler isto....desculpa

De helder a 15.06.2005 às 02:22

Longe vão os tempos que me sentia apaixonado com tal força que me apetecia gritar do alto de uma montanha para que todo o mundo soubesse o que é o amor, uma paixão tão forte que doía, mas ao mesmo tempo me dava força, uma força tão extraordinariamente grande que os dias passavam completos sob o meu controlo, e tudo desabou quando finalmente ela me rejeitou, não queria nada comigo afinal, e eu guardei essa dor comigo,e ao fim de muito tempo carregado com esse fardo que eu tentava expelir com força fisica e raiva em esforços fisicos, resolvi desistir já sem forças e recuso-me a aceitar o amor seja lá de quem for, acomodei-me, tornei-me um ser sem vida...obsoleto...silencio absoluto, paz, sossego, tudo passa, nada me toca ...mas porquê o dia 7 de junho de 2005? porque será que o teu comentário tocou-me apesar de ser triste e ser uma grande verdade no coração de muitos, acaba por me dar um pouco de força, será que tu conseguiste de alguma forma juntar um pedacinho do grande puzzle de minhares bocadinhos em que o meu coração está partido? espero que não...acomodei-me como um velho que passa 50 anos na prisão e de repente é libertado....imaginas o que ele sente?

Diz lá


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