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E tu, lembras-te?

Confessado por Mulherde30, em 01.06.05

Quando acordei já não estavas cá. Alguma vez estiveste? Mas o teu cheiro ainda percorre o quarto inundado por uma luz que não queria ver, nem sentir.
Ao longe consigo ouvir o som da água a correr. Talvez te tenhas levantado e estejas no duche....ou sou eu que quero que seja assim?
Não importa....

Por momentos fecho os olhos, talvez tenha adormecido. Acordo (outra vez?) com um cheiro a perfume (o teu)... ainda estás aqui perto. Não me apetece mexer para te procurar. Não gosto de procurar, gosto de encontrar ou que me encontrem...
Gostava que chegasses aqui de mansinho (como sempre) me desses um beijo querendo despertar-me e me dissesses:
- Raquel....acorda.
Mesmo que eu já estivesse acordada. Sim, esse beijo agora sabia bem. Talvez neste instante fosse apenas o que preciso. Que estranho.... precisar assim tanto de um beijo!

Passam minutos num relógio que faz tic tac... e deixo de ter o cheiro do teu perfume (sempre tu. Em tudo), de ter o teu cheiro no quarto...já não ouço sons de água que corre....já não ouço nada. O que se passa? Onde estás?

Levanto-me para te procurar. Será agora tarde demais? Logo eu que nunca te procurei....
E não te encontro. Estás em lado nenhum. Perdeste-te? Ou fui eu que te perdi? Talvez me tenha perdido a mim...
Quero lembrar-me de ti....e preciso esforçar-me para recordar cada pormenor do teu rosto. Mas esta noite estiveste comigo. Lembras-te?
Ou não estiveste? Terá sido esta ou há um mês atrás e tudo me parece recente?
Diz-me, tu lembras-te? Lembras? Diz-me.... não quero ficar com esta pergunta sem resposta. Alguma vez estiveste aqui comigo?

Os corredores são tão longos, custa-me pronunciar o teu nome...talvez porque dizê-lo ainda doa muito, doa demasiado.
As paredes não têm a luz de um sol quente que brilha lá fora. Onde estou?

E encontro-te.
Dobrado sobre o teu próprio corpo, num canto escuro de uma sala imensa...a chorar.
Vejo-te assim tão pequenino...lembrava-me de ti como um ser imenso e especial. E és...ainda és. Aqui neste silêncio posso dizê-lo. Ninguem me ouve. Tenho medo que alguem ouça...tenho medo que tu ouças. O medo. Sempre.
Mas o teu corpo, as tuas mãos com que escondes o rosto, os ombros com curvas quase perfeitas, igual. Como me lembro. Alguma vez foi assim?....
É neste instante que queria retomar todos os meus passos de volta a um passado. Até a um momento em que te quiz abraçar e dar a mão e não o fiz com medo que estranhasses... é sempre este medo. O medo de agir, de fazer...e depois, mais tarde, querer repetir, para quem sabe fazer tudo como deve ser feito. Haverá outra forma de fazer as coisas?

Quero mergulhar num mar de água fria, gelar o corpo, a mente para que não lembre. Quero sair e ter o teu abraço, aquele que dizias ser o começo de tudo. Aquele abraço que quebra o gelo que tenho em mim, que me faz acreditar, que me faz soluçar baixinho, no silencio. Que me faz sentir o cheiro do teu peito com sabor a eternidade. Mas isso não existe pois não? Nem o teu peito, nem o cheiro, nem eternidade. E o amor? Será que existe?

Poderia abraçar-te agora...mas não sei se queres que o meu corpo se envolva com o teu. E não o faço. Sempre o medo. Sempre. Mas queria o teu abraço agora. Neste instante. Como naquele dia. Um beijo quente como naquela tarde. Queria....

Olhas-me...como se me quizesses dar as respostas que sempre me recusaste. Como se finalmente quisesses falar...com essas ruguinhas em torno dos olhos, com essa ruguinha na testa que sempre gostei. Menino de rugas... Tu, sempre menino.

Eu vejo-te a chorar...mas sei que não estás aí nesse canto esperando o meu abraço. Sei que agora já nada esperas meu. nem o abraço, nem o beijo, nem a voz, nem o sorriso nem o cheiro. E nem tão pouco estás aí...são apenas os meus olhos que te querem ver. Uma vez mais. Uma só. A última. Ou estás? E queres tambem uma vez mais o que sou?
Mas sei porque choras.... sei que choras porque compreendes finalmente que te faço falta. Talvez nem seja saudade de mim...talvez seja saudade de nós ou de ti. Daquilo que eras comigo. Ou nunca foste?
Sabes agora (tarde demais) que jogaste fora tudo o quanto te dei. E dei-te tudo... tudo o quanto te podia dar. Mas não quiseste. É por saudade que choras...
Será? E saudade de quê?

E mais uma vez, por medo que me afastes uma e outra vez, não vou ao teu encontro para te dar aquele abraço. Talvez porque saiba que tudo se iria repetir. E é louco procurar o que sabemos que nos faz sofrer, não concordas?

Talvez tudo tenha sido em vão e só agora, que sei porque choras, me apercebo disso. Tenho pena. A história podia ter sido tão diferente. Quem não quiz? Eu ou tu? Quem fez o quê de errado?
Talvez eu...
Vi-te de uma forma que talvez nunca tenhas sido...talvez só mesmo eu te tenha visto assim porque precisava. Precisava acreditar que o amor pode ser possivel, que com ele vêm tantos tipos de amor....que as amizades podem ser coloridas e verdadeiras.
Mas vi tudo como precisava ver...e vi mal.

E tu, aí acocorado, choras...
Se soubesse que uma atitude minha podia mudar tudo, faria-a. Mas acho que já nada vale a pena. Que nesta história as personagens estão erradas. Que fazer? Mudamos de história ou de personagens?
Dizes-me?

Não, não dizes....como nunca disseste nada que precisasse ouvir...só mesmo naquele tempo em que te via como não eras.... só naquele tempo em que precisavas de algo meu ( que não sei o quê), só naquele tempo em que tinhas sempre uma voz, um cheiro, um sabor...
No tempo sem segredos, sem fingimento, sem mentiras...no tempo de horas de conversas intermináveis. No tempo do carinho que hoje não tenho. Que me faz falta. Muita. Tanta! Onde ficou esse carinho? Existiu verdadeiramente?
Queria o teu carinho outra vez. Hoje. Mas ele não vem. Talvez porque nesta história, tambem tu tenhas medo de perder o pé.... de saltar.


Caminho de volta ao quarto como se aos meus pés viesse preso o peso do mundo (ou é o meu peito?)... quero esquecer. Quero deitar e dormir. Quero acordar com a tua voz a sussurrar-me ao ouvido o meu nome. Só para que saiba. Só para que saibas ainda o meu nome.

Mas há aqui um carinho. Que faço com ele? E no teu peito ainda há alguma coisa? Ainda te lembarás de mim? Ou esqueceste? Sabes quem sou?
Inevitavelmente ficam perguntas suspensas no abismo...

E hoje tudo se perdeu.

Por medo. Sempre o medo.

Já não quero voltar àquele fim de tarde em que escrevi o teu nome num vidro embaciado. Já não quero voltar no tempo e dizer-te o tanto que não disse. Não disse naquela altura e não digo hoje. Por medo. Sempre o medo.

Tu sabes....é tarde demais.(será?)
Mas não foi em vão, ou foi?
Lembras-te?

publicado às 15:15


Confessionário

De Karina Oliveira a 01.06.2005 às 16:37

Continuo a amar as tuas letras, uma a uma. Exactamente colocas tudo no sitio certo. E se pensasses voltar? Será que nao precisavas desta pausa para que a outra pessoa se apercebesse do que realmente és! Desculpa se estou a dizer coisas q nao devo!!! Mas quero ver-te feliz. um beijo grande

De mokomaori a 01.06.2005 às 17:11

um beijo....

De L.M a 01.06.2005 às 17:40

Sem duvida raquel, o melhor mesmo é não guardares as recordações da mesma forma que gravas o nome num vidro embaciado, pois mais tarde ou mais cedo ele apaga-se.beijos

De milocas a 01.06.2005 às 18:00

"Até a um momento em que te quiz abraçar e dar a mão e não o fiz com medo que estranhasses... é sempre este medo. O medo de agir, de fazer...e depois, mais tarde, querer repetir, para quem sabe fazer tudo como deve ser feito. Haverá outra forma de fazer as coisas?"
...
Raquel...sinto em cada linha que escreves, pedaços da minha própria história...é sempre um medo, não é?

Continuo a adorar essa tua simplicidade e clareza, beijos e continua assim :)

De REI RATAZANA a 01.06.2005 às 22:14

continuas a ser uma merda de uma granda vaca, burra e ignorante foda-se!!! tens algum problema de visão para bateres sempre na puta da mesma tecla???? hum ???? e a karina continua a sonhar todos os dias que te lambe a cona á beira mar ????

De JC a 01.06.2005 às 22:15

quer dizer...se o medo já tens, o que te impede? Afinal, a Vida dá voltas, e às vezes...E se saíres magoada? não passa nada, ao menos tentaste, e vês-te livre da indecisão (a tal que realmente atormenta)

De JC a 01.06.2005 às 22:18

Rei, talvez esse comentário pudesse ter sido dito em privado, não? Obrigado por ofender

De REI RATAZANA a 01.06.2005 às 22:20

EU SOU O REI RATAZANA E FAÇO TUDO O QUE ME DÁ NA GANA!!!!

De Carlos Afonso a 01.06.2005 às 22:36

Coisa rara Rakel, mas também tenho uma leve sensação de te recordar...mas não me lembro muito bem!LOL! Será que tivemos o mesmo sonho??? Fico á espera da Surpresa!!! Só espero que não me caiam os dentes até lá, pq cabelo para o gel já não tenho!!! Beijos e espero que estejas bem:)!...Carlos.
Olha O Rei Ratazana!!! Tavas de férias??? LOL!

De REI RATAZANA a 01.06.2005 às 22:41

HEI AFONSO!!! COMO VAI A TUA MULHER E OS NOSSOS FILHOS HÃ??? ;) HEHEHE TOU A BRINCAR!!!PERGUNTAS SE ESTIVE DE FÉRIAS!? ACERTAS-TE ESTIVE NA JAMAICA! MAS SABES COMO SE DIZ POR AÍ " O BOM FILHO VOLTA SEMPRE À CASA PATERNA " NESTE CASO É ESTE PÂNTANO...HEHEHE

Diz lá


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