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Hoje não quero saber....

Confessado por Mulherde30, em 18.05.05

Nem sei o que faço aqui....

Cidade tão estranha, tão distante, tão vazia.
Que raio me passou pela cabeça para entrar no comboio e perder-me assim?
Talvez precisasse.
Na loucura, quase sempre encontro um equilibrio....e certas loucuras trazem-me uma sanidade que não encontro noutro lugar.
Talvez sentisse a necessidade de ser estranha a todos, de me perder para ser quase igual, não ser diferente.

Deambulo por lugares desconhecidos, que tambem não me apetece muito conhecer.
Não hoje. Hoje não quero saber.

Recosto-me no banco traseiro de um taxi e olho a cidade. Vejo-a.
Talvez nem seja assim tão feia...talvez agora que faço este percurso com a alma calma, lhe consiga adivinhar outra beleza.
Levo os óculos escuros e o taxista olha-me de quando em vez de soslaio. Não me incomodo. Hoje não quero saber.

Deixa-me à porta do hotel e pergunta se preciso de ajuda. Estranho....aqui ninguem ajuda ninguem...
- Não, obrigada.
Deito-me na cama e ouço o som abafado do transito.
Hoje precisava estar assim. Num quarto de hotel. Impessoal.
Amanhã, quando partir nada de meu ficará aqui. Quando chegar um outro alguem, é como se nunca eu tivesse existido...e no entanto levo a história na memória.
É a minha, não a posso abandonar.

Vou para junto do rio...quem sabe ele me banhe os pés.
Corre uma brisa, que ao passar nas folhas das árvores, provoca um som como que se me pedisse silêncio. Ainda bem, hoje tambem não me apetece falar. Preciso ouvir o coração que grita e que não lhe entendo as palavras.
Um vento mais forte arrepia-me a pele. Eu gosto. Faz-me sentir.
O sol brilha não muito quente...mas talvez seja o suficiente para me aquecer o peito.
E ao reflectir na água dá-lhe uma tonalidade azul... e uma beleza como que se as pequenas ondas fossem gaivotas com asas de cristal.


Passam os teleféricos.... como passa tudo em nós.

Talvez seja hora de partir....talvez seja hora de regressar a casa, de refazer histórias. De colocar "talvez" em vez de não, de colocar reticências em vez de um ponto final.

Espero o combóio e vejo o quanto sentimento paira neste ar. Talvez por isso esteja sempre vento aqui...para levar para longe palavras que se dizem no ouvido, gestos que me causam ternura.... lugares de quem se abraça porque parte e porque chega...lugares de encontros, de desencontros....de começos, de fins... de partidas, de chegadas.
De lágrimas, de sorrisos...

Tambem eu já vivi tantos momentos assim. Mas hoje não. Hoje não me despeço de ninguem, nem ninguem me esperou à chegada.

Entro no combóio e tenho o coração tão leve que me esboça um sorriso.
Ainda bem que vim... sinto-me feliz.

Mas hoje não me apetece explicar mais nada.
Hoje não quero saber.


(Lisboa tem o seu encanto....)

publicado às 12:10


Confessionário

De Karina Oliveira a 18.05.2005 às 12:36

S

De arqpatricio a 18.05.2005 às 13:33

viver...é algo tão lindo. bjssss

De olhovivo a 18.05.2005 às 13:47

Raquelinha, fizeste bem em ir arejar :)**********

De ozzo a 18.05.2005 às 13:59

Na me digas que és a boazona que acabou de passar por mim... :)

De Ricardo a 18.05.2005 às 15:15

:'( snif snif

De Passo a 18.05.2005 às 15:37

Por acaso ontem tb estive na zona da expo a almoçar, e andei por lá ( se foi no mesmo dia) tv por acaso nos tenha-mos cruzado kem sabe ... estive a ver o rio mas acompanhado, numa cavaqueira de amigos e realmente sabe mt bem uma tarde passada nakele local onde tanto e nada acontece :-)) beijos

De Just___me a 18.05.2005 às 20:47

...quantas são as vezes que precisamos de nos afastar, de estar sozinhas, de estabelecermos aquele diálogo com nós próprios, para nos entendermos, para nos encontramos a nós próprios... para podermos, depois, retomar com outro ânimo e outra força a vida que nos espera lá fora. A vida que está lá fora à espera que a abracemos com toda a intensidade...
Muita força! Beijo grande

De L.M a 19.05.2005 às 14:10

De alexandre dale a 19.05.2005 às 14:52

Dale is in da house!

recomendo a canção "caçador" para o próximo fds

De Amaral a 20.05.2005 às 15:03

Por alguns dias perdi-me de ti. Não sei como, mas perdi as "confissões…" por não sei quantos dias. Também não quero saber porquê!...
Eu sei o que faço aqui… Venho verificar que experienciaste a "visita" à cidade de uma forma particular. Como se ela não existisse ou como se nada tivesse para te dar. Talvez ela já faça parte daquilo que és, e não te sirva para nenhuma coisa importante. Ou, talvez, tenhas perdido uma oportunidade de vivenciar coisas novas e diferentes que, absortamente, te foram passar despercebidas. Ninguém ninguém irá saber.
Para trás ficaram os tais sentimentos no ar, ficaram lágrimas e sorrisos, ficou a despedida e tudo o mais que a vida te estendeu aos pés…

Diz lá


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