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Já não lembro...

Confessado por Mulherde30, em 11.09.05

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Soube hoje que já esqueci... vê lá tu. Só hoje.
O sol brincou à timidez...e eu, para lavar a alma, brinquei tambem. Olhei para ontem, foi ontem não foi? E recordei o que já não lembro.
Pensei em ti.

E já esqueci tudo.
Esqueci que me encantei por ti quando te vi, quando os olhos se cruzaram.
E revivi esse momento que esqueci. De como apareceste na minha vida, num momento em que o coração já estava mais ao largo...que o peito já não doía. E esqueci que acreditei em ti, quando já nem em mim acreditava. Talvez por isso não tinhas o direito...
Esqueci de quando me tocaste ao de leve no meu braço com o teu, como se quizesses comprovar que a pele arrepiava.
Esqueci de quando me deitei ao teu lado, devagar...só para não magoar os corações, talvez num instante em que as almas se abraçaram. Ou já se tinham abraçado há mais tempo e agora já não sei porque já esqueci.
Esqueci que me deitei contigo e que te dei um pedacinho de mim...e esse pedaço, faz-me agora tanta falta! Como tu...

Esqueci as palavras que me fizeram sentir que eu era o pedaço que te fazia falta para seres feliz... vê tu, logo eu!

E hoje, num caminho que percorri contigo, vejo que esqueci tudo...
Sempre tu...que me surpreendias nas tuas perguntas, que me deixavas no silencio por não saber o que responder. Por medo de rasgar conscientemente o coração.
Naquela altura, parecia-me que só tentávamos em conjunto, sermos capazes. Eu de derrubar os meus muros e tu os teus, os dois. Só queria dar-te a mão e ser capaz de saltar. Mas tu não saltaste, pois não?
Já esqueci...

Serão assim tão intranponiveis as muralhas que criamos ao nosso redor?

Tu partiste num dia em que a chuva caía teimosa...e o meu peito apertou-se porque tu não viste que ficou quase tudo por dizer. Por medo, sempre o medo. E quiz refazer todas as horas contigo, só para que as palavras que o coração falou e a boca calou, podessem, quem sabe, ser libertas. Só para que soubesses.
Vê tu.... até disso esqueci.

Esqueci das conversas de travesseiro, dos sorrisos e dos risos...dos beijos que me deste sem eu esperar.
Esqueci que me sentei no teu sofá a fumar um cigarro e a sentir a plenitude de quem se dá por um quase amor.

Esqueci que houve um tempo em que quiz apenas apertar as tuas mãos, sentir o teu abraço... saber que afinal não há acaso.

E o silencio que veio depois... até hoje. Por palavras que ficaram escondidas e guardadas como se fossem tudo. E eram...tudo o que eu precisava. Logo as palavras que te trouxeram ao meu caminho.
Só precisava da verdade, para não ter que passar horas sem conseguir dormir. Com medo que telefonasses, com medo de adormecer e esquecer tudo.
Pensei que fosse mais fácil...

Vê tu...tiraste a toalha da mesa, com um puxão esperando que todos os objectos ficassem no lugar. E adivinha? Os objectos viraram cacos, nada ficou no lugar...e tu sabias que eu tinha medo. Tu sabias...
Mas até disso me esqueci.
Esqueci que me disseste um dia para eu esperar, que nada tinha sido em vão...
Esperar o quê? Como se naquele tempo eu conseguisse fazer outra coisa a não ser esperar... sempre a esperar que talvez hoje. Talvez. Hoje. E nunca foi.
E o que é que não foi em vão? Aquilo que eu pensava que estava a começar no exacto momento do fim? Aquela cumplicidade que eu pensei existir entre nós?
Naquela altura só queria ouvir, saber porquê, resolver histórias para que pudesse fechar a gaveta e seguir em frente. Deixar de lado as amarras que sentia prenderem-me a ti.

Passei naquele hotel perdido no meio de uma floresta. Imponente. Retalhado ao pormenor pelas mãos dos homens. Mãos como as tuas, que retalhaste o meu coração.
Já não estás aqui, já não estás em lugar algum. É este meu coração palerma que pensa que andas aqui perto e chama sem cessar por ti.

Há quanto tempo! Há tanto que já esqueci...

Esqueci. Vês? Esqueci tudo... já não lembro de nada, como vês.
Esqueci que me quiz encontrar naquilo que pensei que eras tu. E no final, perdi-me. Perdi-te até a ti.
Esqueci que acreditei em tudo como sendo a maior das verdades. E o tempo provou-me que foi apenas uma grande mentira.

Hoje já posso dizer porque já não me escutas.
Hoje que já dei todas as respostas que me recusaste. E eu que só quiz ouvir.

Que é dos nossos braços? Dos abraços?
De onde surgiu este silencio-deserto entre nós? Não sei, já não lembro....

Quiz apenas clarificar sentimentos...falar do fim, quando ainda não sabia que o era.

Hoje andei pelo vale e ouço passos solitários: os meus. Já não começa a cair uma chuva miudinha que nos faz correr para o carro onde o beijo acontece, a medo. Com timidez. Caminhei sozinha no local perfeito para que a tua boca e a minha se sussurrassem...e hoje pergunto: porque seria este o local perfeito? Porque tinha que existir um primeiro beijo? Quem disse? Onde estava escrito que não li?
E beijei-te a medo...depois de ter perdido tantos outros medos que tinha em mim, que perdi por ti...depois de abrir portas, de escancarar o coração. Por acreditar, vê tu. Por necessidade de acreditar nas palavras...por querer demais acreditar em ti. E acreditei. Logo em ti...
Mas até disso já não lembro. Já esqueci...

Já não lembro que naquele tempo pensei que estávamos juntos... hoje sei que estávamos separados. E mesmo assim tenho medo de adormecer e ao acordar já nada reste.
E será tarde para te dizer o tanto que não disse.

Enrosca o teu corpo ao meu, abraça-me.


Hoje deitei a manta na relva, numa terra molhada e pensei que afinal, nunca foste tu em nada. Talvez só eu te vi assim.
Tive tanto medo de esquecer tudo...e esqueci.
De tudo o quanto senti um dia.
Foi por isso que chorei... porque me lembrei que já não me lembro de ti.

publicado às 22:17


Confessionário

De JJoaoMaia a 11.09.2005 às 23:35

Olá! Não me parece que o tenha esquecido definitivamente...essa declaração tão pungente, é a prova de que desejaria que ele voltasse de novo para os seus braços, reconstituído, transfigurado, transformado na pessoa que vc desejaria que ele tivesse sido, mas que nunca o foi, quiçá por incapacidade de amar...como você o amou...
Se não é nada disso, entao perdoe a minha intromissão. De qualquer forma acho que vc deve ser linda, ao escrever coisas assim tão bonitas, tão cheias de amor, coisas sofridas...Acho q vc merece ser feliz!

De Margarida a 12.09.2005 às 01:43

Mais tarde ou mais cedo chegamos à conclusão de que temos de nos afastar de álguem, de um assunto ou outra coisa qualquer.
A forma como chegamos a esta conclusão não é nada original...deixamos amontoar pistas de custos gravosos para nós, como coisas que se desarticulam. E ficamos perplexas quando, depois de tantos argumentos e conclusões, o pensamento foge ao control e as ideias param, lá, no sitio em que não se quer. Resistir ao apelo é o trabalho de todos os dias. Melhora-se dia a dia...As tuas melhoras querida Raquel, e finalmente OBRIGADA PELO COMENTÁRIO, a minha alma ficou espantada.

De bcool a 12.09.2005 às 01:51

De certeza que a vida te deixará outras boas recordações para guardares na memória e no coração para o futuro ... Eu só quero-me lembrar do futuro, pois o passado está no que tem de bom, porque o mau vai sempre sendo varrido da memória aos poucos ... Beijinhos

De Ant a 12.09.2005 às 02:27

Raquel há uma frase que diz: "Covarde não é aquele que chora por amor, e sim aquele que não ama por medo de chorar"... Li seu post e lembrei de uma música do Djavan. Acho que hoje,ela está combinando com vc...

"Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide
Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide
Longe da felicidade e todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo
És manhã na natureza das flores
Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você
E tudo nascerá mais belo
O verde faz do azul com o amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris"

De Bruno a 12.09.2005 às 04:15

Pelo que li, e pela minha experiencia de vida, nunca se esquece, apenas deixamo-nos de lembrar todos os Dias, a afluencia diminiui!( Pelo menos eu falo por mim,) mas recordo todas as pessoas que passaram pela minha vida com um certo carinho e nostalgia, pois elas moldaram a minha vida, ou seja o que eu hoje sou foi graças a esses momentos, sentimentos vividos no passado, eu nunca esqueço ninguem!!!

Beijo Bruno

De sofialisboa a 12.09.2005 às 10:29

os meus momentos de amor, guardo-os com muito carinho, há sim uma altura em que a saudade vem devegar e arrasa, mas agora que estou meis velha e mais sábia, deixo as memorias vir quando tenho mais suadades e sabes o que faço? simplesmente sorrio, sem dor nem remorso. sei que é dificil mas consegue-se sim, olhar para um passado bom e relembrar com muito carinho. sofialisboa

De amanda a 12.09.2005 às 10:50

esquece!

De Poeta_ a 12.09.2005 às 13:16

Oi! É angustiante ler isto porque já fiz este exercício de dizer a mim mesmo... ESQUECI, JÁ NÃO ME LEMBRO! ... a consequência que teve em mim foi abrir uma ferida ainda maior que me provocou uma dor lacerante! Ultrapassei-a quando percebi que a minha força estava no presente aceitando o passado. Sem mais! Parece simples não é? Mas demorei uma eternidade a percebê-lo! É que os homens também sofrem!!! Continuas a deliciar-me e a arrepiar-me com a tua escrita, com aquilo que tu és! Beijinho! P.S.: Acho-te LINDA! Não Linda como se fosse nome próprio. LINDA ou linda, por aquilo que és e que transparece nos teus posts. Disse-to uma vez quando conheci este teu espaço. No entanto, PEÇO-TE DESCULPA pela minha indelizadeza.

De paulo a 12.09.2005 às 14:11

Tens um dom que deveria ser aproveitado. Já alguma vez pensaste em mostrar o que escreves a algum profissional que valha apena? Devias lembrar-te disso, isso sim.
Quanto à "Vagueira", é o meu ópio. Quando vou dar uma de ermita, é pra lá que vou. É o meu cantinho preferido para levantar o astral. Mas só de vez em quando, porque estou 230 km a sul. Na terra onde dizem "tfone" em vez de telefone. Ah, e porque a tanga das "tripas de ovos moles" engordam muuuuuito.

De Manu a 12.09.2005 às 15:29

Rakel, tudo aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes. São as experiências (boas e más) da nossa vida que nos moldam, nos dão sabedoria e maturidade emocional. Não deves é deixar que um fracasso amoroso te bloqueie os sentimentos e te impeça de dares a chance a outra pessoa de te proporcinar momentos muito felizes. A vida é assim, temos de ultrapassar muitos obstáculos para poder viver outros, se possível com o espírito mais valorizado pelas experiências vividas, embora eu saiba (bem demais até) que sentimentos são sentimentos e que nessa área íntima não há control possível. Por muito inteligentes e controladas que sejamos poderemos vir sempre a cair no mesmo erro, mas temos de tentar,não é?
Tenho de te dizer ainda que gosto muito da forma como escreves e nunca perco um texto teu. Tens uma enorme sensibilidade e espírito crítico, tanto em relação a ti mesma como em relação aos outros. Beijinho e muita força. "Keep on trying!"

Diz lá


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