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Não esperes por mim...

Confessado por Mulherde30, em 23.10.06

andriete.jpg
Fotografia: Andriete


Vem ter comigo, escreveste-me tu.
Eu não pensei muito, talvez porque de quando em vez é preciso libertar vontades, cansar o corpo para se dar algum descanso à alma.

Vem ter comigo, escreveste-me tu. Por vezes o corpo pede-nos um carinho que não temos para dar...e fui.

" Hoy quiero hablar de ti,
de lo que yo te amé.
Me dueles tanto, tanto,
que sólo soy viento.
Viento llegó. Viento pasó y cómo me acuerdo..."

Desliguei a musica, saí do carro. Dei alguns passos até te ver através das vidraças, lá ao fundo do bar.

________________________« »________________________

Vem ter comigo, disseste-me tu.
E eu, no meio de uma paixão que sentia nascer, fui. Fui sem pensar muito porque quando nos sentimos embriagados pelos sentidos, a nossa razão nunca tem lugar.
Olhei-me ao espelho antes de sair.
Sentia-me nervosa.

Como hoje.

Sentia-me ansiosa.

Como hoje.

Queria que aos teus olhos fosse bonita.

Sentei-me ao fundo do bar. Esperei por ti. Com o coração a mil. Sem saber o que fazer às mãos, a respirar profundamente para me acalmar. E imaginava o que me dirias quando chegasses. Imaginava até onde tudo isto nos poderia levar.

Esperei uma hora depois da outra. Deixando de lado a primeira ideia de atraso para outras. Que tinhas desistido e não tiveste sequer coragem para mo dizeres, preferindo fugir. Que não tinhas por mim um pingo de respeito ou de consideração.

(Os homens são assim...)

Senti-me a pessoa mais pequena, mais insignificante, mais frágil, mais desprotegida.
E o rapaz do bar, talvez por me ver desorientada, lá vinha de quando em vez perguntar se estava tudo bem, se queria alguma coisa (quero sim... quero acordar).
Esperei por ti, com a mesma força que lutei por nós. Nós que ainda não éramos nós. Nunca seríamos.
Esperei até sentir que caía por terra qualquer hipótese de continuar numa luta por algo que nunca tinhamos sido. E que cá por dentro queria tanto que fôssemos...

Como era possivel, depois de tudo? Onde ficavam as palavras? Os abraços? As mãos dadas? Os sorrisos? Os beijos?
Nada cabia num espaço tão imenso como o vazio que tinha no peito.E tudo o que sentia antes se transformou em desilusão, em decepção.
Porque é que quando mais precisamos das palavras sinceras, das respostas, elas nunca nos chegam?

Fiquei sozinha no bar...
Se te ligasse podia ouvir uma desculpa daquelas que só fingimos acreditar. Ou pior, podia nem ouvir nada...

Levantei-me, vim embora. E quando cheguei a casa, as lágrimas em torrente. Por me sentir tão estupida por ter acreditado.

(Afinal, foi sempre assim...)


___________________________» »_____________________


Voltei para trás. Entrei no carro. Continuei a ouvir a musica do ponto onde tinha terminado. Podesse a vida ser assim, continuar do momento onde se ficou.

"Dónde andarás? Lejos de mí?
Quién te dará, lo que te di?
Quien dormirá abrazado a tí, como yo...
Cómo me acuerdo, amor.
Como si fuera ayer.
Viento llegó, viento pasó y tú no estás aquí..."

Não esperes por mim que eu não vou... escrevi-te eu.

Talvez não o devesse ter feito. Inevitavelmente este meu coração nunca dá numa medida igual à que recebe. Melhor assim.

Vi-te a saires do bar, falando ao telefone, a rires e olhando o relógio. Seremos assim tão facilmente substituidos? Ou não... talvez sejamos apenas crentes.

Sabes o que custa? É sentir isto. Sentir que qualquer atitude minha, qualquer palavra sincera, é demais por pessoas como tu. Por saber que não há pessoas certas e acabar por ver todas como erradas. Que ao longo da vida me obrigaram a sentir a desilusão sempre que procuro lutar pelos nós que nunca seremos.
É só porque é custoso baixar os braços e viver sem acreditar. Que é cruel sentir que tudo o que se fez foi em vão. Saberás que o fardo é pesado quando sentimos que será melhor ficar por aqui? Que se perde a vontade de lutar porque já nada nos parece ser sincero nem verdadeiro?

Perde-se um pouco do sentido da vida. Quando olho para trás e vejo todas as histórias repetidas. E é triste...
É triste o que sinto quando entre uma desilusão e outra, penso:
Não vale a pena...

publicado às 20:31


Confessionário

De bruno a 23.10.2006 às 21:31

Quem é que te fez uma coisa dessas???? Eu era incapaz de fazer algo assim!!! Não mereces que te façam isso, não mereces sofrer...Beijinhos doces (Parece que hoje consegui ser o primeiro)

De Rui a 23.10.2006 às 22:00

Isto tudo porque o cavalheiro em causa atrasou-se? Bem sei que fazer uma senhora esperar é um pecado capital, mas onde está a tolerância aqui?
Toda gente tem direito a uma segunda oportunidade...Anda lá Raquel não tenhas mau fetio. Como diz o outro: " Faz-me o favor de ser feliz!" Beijinhos.

De Gabriela a 24.10.2006 às 01:06

As palavras sinceras fazem toda a diferença mesmo quando não encontramos as pessoas certas, visto que acabam sempre por deixar um bichinho de meiguice que se aloja e vai crescendo....às vezes é preciso tempo e ter mais um pouco de tolerância para este bichinho desabrochar...."Tudo vale a pena quando a alma não é pequena." Fernando Pessoa , beijs Gabriela

De ana a 24.10.2006 às 09:29

Porque será que nos apaixonamos quase sempre pela pessoa errada, quandoexiste tanta gente que nos quer bem? Sabes a resposta? Eu também não.Um Beijo enorme

De J.Carlos a 24.10.2006 às 10:11

Quando era mais jovem, queria tanto ser aceite por um determinado grupo de amigos, que acabava por esquecer quem verdadeiramente gostava de mim e, na prática, me fazia mais feliz. Acabei muitas vezes por sentir o vazio que era estar com esse grupo de pessoas que, socialmente eram fantásticos, mas particularmente, um desastre. Hoje sei que teria sido bem mais feliz se tivesse deixado, mais cedo, de tentar aproximar-me de quem não gosta de ninguém, a não ser de si mesmo (e não estou muito certo desta última...). Será que o mal não está no tipo de pessoas que se procura? Se mentalmente existe uma lista de requisitos para a pessoa que ideal, há que rasgá-la e dar oportunidade a que outros diferentes nos façam felizes! Se não se mudam as formas de abordagem dos problemas, os resultados também se mantém e as decepções sucedem-se. É como um gato que tenta entrar no buraco de um rato: é inútil; O rato vai comendo o queijo e o gato se não trata de redireccionar o alvo e ser bonzinho para a dona, para ver se esta lhe dá um pratinho de leite, fica a miar com fome. Moral da história: mudando o target às vezes encontram-se soluções fantásticas! :)
bjs...diferentes! ;)

De karina oliveira a 24.10.2006 às 10:12

Compreendo e concordo com todas as palavras que aqui deixas.
Muito pouca gente (homens, portanto) merecem a nossa luta, um simples sorriso, um gesto, um amor de verdade.
Eu deixei de acreditar porque todas as histórias porque passei foram quase todas semelhantes e ao ver que dava sempre tudo ou quase tudo, mas pelo menos dava o melhor de mim e era em vão.
Decidi que de agora em diante dificilmente me darei. Dificilmente acreditarei que existe ali, um amor para mim!
E olha que sou feliz assim, na solidão que me fala ao ouvido, mas que não me magoa...

Grande beijo

De Frustad@ a 24.10.2006 às 10:40

palavras sinceras...k só kem passa pelo mesmo sabe sentir cada sentimento como tu....encontrei o teu blog por acaso....numa peskisa...mas gostei...e dou me ao atrevimento de cuscuvilhar todos os dias....espero k um dia possamos acreditar k nem todas as pessoas sao erradas...é isso k nos faz continuar a sonhar...nao percas esse sonho....bj fica bem ***

De rita a 24.10.2006 às 12:34

Filho de uma cadela sarnenta...isso

De ernesto a 24.10.2006 às 13:31

"Ay, yo te llamo, (yo te amo..) yo que te llamo.
Donde estés, ven volando a mi lado !!)
Ohhh Hey, voy a buscarle (a buscarte) por donde estés pa' que, pa' que vuelvas a mí, y así
nos volvamos a enamorar..." Quantas vezes o nosso cérebro acredita em coisas que o o coração gostava que fosse verdade. 1beijoca Sereia.

Diz lá


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