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Porque hoje me apetece...

Confessado por Mulherde30, em 06.11.05

Imagem 005.jpg
Fotografia: Raquel

E porque hoje é domingo, porque não partilhar? Porque não dar de presente a quem por aqui passa um pouco mais de mim?


A noite foi longa. Cansei o corpo, dei descanso à alma. Esqueci das outras coisas, das que penso no escuro, quando fecho os olhos para ver mais além... sem conseguir.
Enquanto ri, enquanto dancei, adiei o que pesa no peito, o que arrasto cá dentro. Sempre sem saber muito bem o que é. Sem saber o que resta de mim em mim. Ou apenas sentir saudades de mim. O que está aqui e não consigo que se liberte.
Perco-me na noite e acabo em manhãs em que não me encontro.
E parece-me que só queria voar...

Acordei tarde sem ninguém. Toda eu do avesso.
Sentir o abandono quando já só me resta o silêncio.

_____________»silêncio«________________

E sinto a falta das manhãs de domingo. Em que se acorda e se espera que as horas se prolonguem em conversas que fazem sorrir, em carinhos, em meiguices, em toques de pele. A falta do pequeno almoço dividido nos lençóis, os corpos entrelaçados a ouvir a chuva ou a sentir o sol, escutando musicas que sempre falam de amor. Ficar assim, quietos, estendidos noutro corpo que nos roça os segredos, a falar de coisas sem destino...numa melancolia que não dói, espreguiçando as almas em almofadas com cheiro a momento feliz. Gastar o tempo, amarrotados. Deixar que os minutos levem para longe os passados magoados. Dividir, para que tudo o que é bom se multiplique. Um dedo por entre cada um de outros dedos...


E esta foto...
Um dia de outono, uma tarde de sol...a praia da Barra e eu.
E eu que hoje queria apenas escrever.
É o que faço...rabisco-me aqui e ali, sem nunca gostar do final das histórias. Com os dedos escrevo quando queria, isso sim, curar de vez as cicatrizes mal curadas.
Refazer as histórias, refazer-me. Transformar-me. Ser capaz. Não ter aqui a mágoa que já não me deixa acreditar...deixá-la num sitio qualquer.
E por dentro, onde estou apenas eu, rasgo palavras. Rasgo os pedaços deixados por entre os pedaços de mim. Escrever tanto e deixar sempre tudo por dizer...
Mas quando me procuro, dôo-me por dentro, cá no fundo onde até o silêncio ensurdece.
Queria apenas ter alguem a quem dizer qualquer coisa, ou ter qualquer coisa para dizer a alguem. Não estar sozinha, quando nem sequer estou só.
Apetece-me olhar os caminhos por onde a vida me leva. Quero ver as areias quase movediças onde me movo, devagar. Numa melancolia de vida que de tão completa se torna vazia.

Tenho dias assim...fico nesta praia, vejo o mar, as ervas que insistem nascer nas dunas contra todas as tempestades e que permanecem, ano após ano.
E o que sinto, aqui, é que tudo perde o sentido quando perdemos o sentido de nós.
De que vale tudo, se não há outros olhos para verem o mesmo que nós...

Como confissão: a vida, sem um amor, terá sentido? Afinal, de que ando eu à procura, sem nunca sair do lugar? Mas parece-me que a vida sem ternura não é grande coisa. Eu, deste jeito meio triste, apenas sou feliz entre espaços, entre pontos finais...

publicado às 23:46


Confessionário

De Peter Pan a 07.11.2005 às 01:05

Amiga, é entre pontos finais que contruimos os parágrafos que constroem a grande obra que é a nossa vida. Consegues imaginar um livro de 300 páginas sem pontos finais?
Face Up! não gosto de te ver assim down! Beijinho.

De bcool a 07.11.2005 às 03:37

Raquel ... Há dias e dias, mas na verdade acho que tens razão, a vida a um não tem muito sentido ... Parece que falta algo ... Mas anima-te, além dos teus leitores, tens os teus amigos e mesmo que nos falte algo, devemos disfrutar do que temos e com sorte qualquer dia encontramos quem na verdade sempre procurámos ... Beijinhos

De Bruno a 07.11.2005 às 08:41

Olá Raquel

Parece que não fui o unico a acordar assim!!! Ontem também me senti só, senti que sem "alguem" a vida parece que não tem significado. Para que serve sermos por exemplo a realização profissional, se não temos a estabilidade emocional que tanto ambicionamos. Não serve de nada. Acredita que por vezes sinto-me cansado da maneira como as pessoas olham para mim. Sim porque eu sei o que elas pensam quando olham......
Beijinhos, Ahhh eu tive a olhar o mar, mas na praia do Furadouro.....andamos desencontrados

De rui a 07.11.2005 às 14:05

Passei um dia por este blog por curiosidade, mas desde esse dia sou incapaz de sair da net sem dar um estreitadela... adoro ler o ke escreves pois identifico me mt com essas tuas palavras! és mt interessante (sinceramente) o ke escreveste é o ke sinto mt vez! beijinhos ruiasd@iol.pt

De isabel a 07.11.2005 às 14:35

Os homens são assim. Despejam a piloca e babam-se no minuto a seguir aos amigos.É evidente que os que vêm a seguir, já sabem ao que vêem.Ao sabermos disto é o holocausto.Vamos pá Barra.Enfim, na esperança que o próximo seja cego, vamos abrindo as pernas.É a vida !

De Bruno a 07.11.2005 às 15:57

Olá Raquel

Antes demais deixa-me agradecer-te pelo teu blog... pois graças a ele conheci uma leitora tua
Beijinhos Continua

De amanda a 07.11.2005 às 17:01

a foto é linda assim como acredito que a tua alma também o seja... a necessidade da partilha é comum a todos nós... só te falta encontrar o ombro! (mas não duvido que esteja quase... quase). Beijos

De Gustavo a 07.11.2005 às 17:23

Rakel li algures a sugestao de alguem a sugerir-te passares do blog para o livro......pois devo dizer-te que eu tb compraria não só um mas varios exemplares para o poder oferecer ás pessoas de quem gosto. Revejo e identifico-me no que escreves e sentes, e revejo tambem a vida de muitas pessoas, amigas e não só, que não têm ou nao conseguem a clarividencia para assumir aquilo que são as suas "vidas".
Tenho uma historia de vida, real, tragi-comedia que gostava que passases para o papel......pensas nisso??
Beijo


De Maria a 07.11.2005 às 18:25

Raquel, também tenho dias assim... nesses dias também vou ver o mar, olho para a linha onde o mar e o céu se confundem e aí sinto com perfeita nitidez a minha pequenez perante este universo em constante mudança...muitas vezes não é pelo que se perdeu, é o espaço que fica que nos deixa assim, é somente porque cada espaço é um espaço e "este espaço" tão especial que só pode ser preenchido na pura partilha do dar e receber, sem cobranças...mas nada dura, nada é preciso e certo (excepto talvez a mente de um pedante), por isso, tenho dias, mas acredito que "este meu espaço tão especial" não está vazio, está por preencher.Um grande beijinho*

De mulherde30 a 07.11.2005 às 18:25

P/ PETER PAN: não estou down, apenas a olhar para dentro de mim....b'jinho

Diz lá


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