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Simplesmente...

Confessado por Mulherde30, em 01.10.06

mario2.jpg
Fotografia: Mario


Se tivesse a coragem, por um dia que fosse...
De dizer que sim..
De sair por aí, perder-me num corpo estranho, perder o pudor, deixar-me levar.
Se tivesse a coragem...

Hoje, talvez hoje. Talvez hoje deixe de lado a vergonha. Talvez hoje deixe que a tentação me leve por caminhos de suores, de toques, de sensualidade à flor da pele.
Hoje que o dia está morno e que cá por dentro só queria libertar o desejo, o prazer, os orgasmos, o delírio, os gemidos.
Seguir viagem contigo... por caminhos incertos levando no corpo a vontade deserta de ti. Sem querer pensar se depois tudo irá terminar. Sem pensar onde essa estrada nos irá levar.
Esquecer o mundo e partir.
Simplesmente.

Chegar-me a ti. Tocar-te. Beijar-te. Sentir-te.
Deslizar o corpo suado no teu, procurar-te a lingua, querer-te em mim. Olhar-te e ver-me nua no teu olhar. Ter as tuas mãos cheias que agarram a pele que grita que já só se quer rasgar...

Sentar-me no teu regaço, unir a humidade dos corpos que gemem baixinho por tesão reprimido, dizendo-te ao ouvido que te quero.
Quero-te sem passado, sem história, sem mágoas nem tristezas. Quero-te apenas. Simplesmente.


Hoje vou perder-me por aí... talvez adie há tempo demais a vontade que me corrói por dentro, devagar. Mas amanhã pode ser tão tarde...
Porque não hoje?
Deixar-me levar. Cansar o corpo, dar descanso à alma povoada por pensamentos satânicos...


Hoje... hoje farei amor contigo ( e amor faz-se? ou constrói-se?)
Será hoje...
Dizer que sim.
Perder-me.
Entregar-me.
Encontrar-me.
Simplesmente.

publicado às 16:07


Confessionário

De carla a 01.10.2006 às 16:34

Queria realmente ter essa coragem. Já a tive!perdi-a quando perdi um amor, que se construíu enquanto fazia amor, louco, intenso, apaixonado...queria não me lembrar do passado para poder de novo sair e entregar-me... mas é impossivel esquecer o que nos fez feliz e infeliz e por isso vou reprimindo vontades, desejos.. como uma espécie de armadura que me protege das desilusões...É claro que há dias que é impossivel domar desejos e por mais resistente que seja a armadura, ganha-se coragem e lá vamos nós..num querer desalmado, num desassossego tal... que só o calor de dois corpos acalma, embora não seja fazer amor ou construir sequer, é apenas o doce faz de conta que acalma a alma e o corpo e que dura apenas os instantes suficientes para voltar a colocar a armadura e ficar protegida contra novas desilusões. bonito texto, identifico-me bastante.. Parabéns pela forma de escrever..

De Sofia a 01.10.2006 às 18:26

Há dias assim, em que um simplesmente parece resolver o dia cm se não houvesse amanhã...Embora esse simplesmente seja imensamente mais complexo que o que parece...

Gostei muito do texto como sempre.Gosto dessa forma tão unica de escrever que me faz sempre voltar cá...

Bom domingo*

De Gabriela a 01.10.2006 às 20:50

Bonito texto sobre a sensualidade e a necessidade de intimidade.Aprecio muito a forma de expressares a tua sensibilidade afectiva. Ao fazer-se amor , vai-se construindo o amor, em virtude de este sentimento se alimentar de sucessivas sensações de prazer que intensificam a atracção mútua e reforçam o desejo de fusão dos seres.

Estes momentos de emoção lasciva acontecem exactamente por termos coragem de dizer sim, de nos abandonarmos à entrega , da perda de si acontecer, bem como calorosamente acolhermos alguém sem passado, sem mágoas, sem ressentimentos, nem projecções futuras.

Aquele breve compromisso daquele momento, por si só, fortalece a paixão dos corpos e imprime singularidade aos apegos, pelo que prescindir da continuidade e dos direitos adquiridos é vantajoso e saudável para a libido, bem como para o equilibrio da convivência a dois..É como dizes....”sem querer pensar se depois tudo irá terminar”....”quero-te apenas”. “Simplesmente.”

É preciso compreender a alma de pássaro das relações e não insistir na gaiola das responsabilidades que restringe a nossa acção, inibindo assim a naturalidade, a intensidade e a espontaneidade dos afectos. Assim sendo, concordo plenamente contigo, quando dizes ,,,”seguir viajem contigo”......”sem pensar onde esta estrada nos irá levar”....”Mas amanhã pode ser tão tarde”....”.porque não hoje?”. Assim pode ser que estas sensações de cuidar da alma possam acontecer outra vez e outra vez....sem estarmos prisioneiras do passado nem nos sentirmos reféns de ninguém.
Agradecida, Gabriela


De Ninfa a 01.10.2006 às 21:01

Olá, andava por aqui a ver blogs e tropecei
o teu, e tenho de te dizer que ADOREI!
Vou aparecer mais vezes
um abraço
ninfa

De esplanando a 01.10.2006 às 22:34

Parece simples...

De karina oliveira a 02.10.2006 às 09:56

Eu já nao tenho coragem nem sentimento de sair por aí e procurar o amor.
Deixei de pensar nele. Um dia se quiser que volte, sabe onde moro.
Já nao sinto a falta de outra pessoa. A vida ensinou-me que sou sozinha, um dia se quiser que seja diferente, encarregar-se-à disso!

Espero que estejas bem.
Uma boa semana, eu estou cheia de trabalho, só assim nao me dedico ao que nao faz sentido!

Grande beijo

De J. Carlos a 02.10.2006 às 10:44

Persisto numa dúvida... quando dizes o que escreves a quem te rodeia... quando fazes o que escreves às pessoas certas... o que é que acontece?
Desilusão, quando sentes que ninguém se entrega como tu?
Alegria, porque é sempre melhor dar do que receber?
Ou... não chegas sequer a encontrar as pessoas certas?
Digo isto, porque sinto que tens uma aura de erotismo intrínseca nas tuas palavras. Isto é muito bom de ler, mas acredita, ainda melhor de ouvir... (como tu de certeza tb já sabes ;)) E parece-me que verbalizadas, estas palavras fariam algum sucesso! Não para serem reproduzidas, como se fossem um espectáculo de animação, mas... sabes? Uma voz quente, que sussura ao ouvido, de uma forma ofegante, apaixonada e provocadora, este tipo de palavras, terá, no minímo, alguém que tentará retribuír na mesma medida. Além disso, pq não arriscar a dizê-las mais vezes? O não, já nós temos garantido...

De Rita a 02.10.2006 às 11:41

Genial!

De Rui a 02.10.2006 às 13:32

Mais uma vez superaste todas as minhas expectativas, não sei como o fazes, mas também não quero saber, gostei muito. Relativamente ao que escreves tenho as minhas dúvidas, faço as mesmas perguntas que tu. Sou da opinião que embora haja coisas mais fáceis de serem escritas que serem ditas, penso que há alturas em que devemos contrariar essa tendência, não me parece bem, nem tão pouco saudável reprimir o desejo.
Ao ler o comentário da Gabriela compreendo um pouco melhor o que me parece ser o teu estado de alma, porém gostava de ver respondidas as questões que o J.C. aqui deixou e muito bem. Não creio que haja homens com defesas capazes de resistir ao teu arsenal de sedução.
Tenho para mim que talvez nunca tenhas desejado alguém ao ponto de passares à prática tudo aquilo que escreves. Penso que a timidez pode ser uma explicação para isto, mas só até um certo ponto. Uma mulher de 30’s não tem idade nem “curriculum” para perder tempo com desculpas. No entanto… gostaria de saber o que pensas acerca disto.
Beijinhos

De ernesto a 02.10.2006 às 13:37

Abraça-me, beija-me, faz-me vir em ti… rasga-me o corpo a alma deixa que os nossos corpos se transformem em uma só alma, ou então num em corpo sem alma.
Que maravilha Raquel, o desejo, o salto para o desconhecido, a adrenalina que nasce em nós… e eu que escrevi “…não temos nada a ver um com o outro…” Claro que sim é aqui que nos cruza-mos, é nesta parte que melhor nos encaixamos…
Gostei muito Raquel, uma beijoca para ti, Boazona.

Diz lá


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