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Porque sim...

Confessado por Mulherde30, em 07.06.05

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"Back inside

This chamber of so many doors

I have nowhere to hide

I would give you all of my dreams

If you would help me

Find a door

That doesn't lead me back again

Take me away..."

publicado às 20:52

Mãe... o teu amor.

Confessado por Mulherde30, em 07.06.05

Cheguei-me perto de ti com os olhos ainda vermelhos de chorar. Estavas sentada no sofá. Uma mulher pequena, a maior que conheço.
Foi sempre em ti que busquei coragem para tantas coisas.... como agora. Porque hoje quero guardar em gavetas coisas que quero esquecer. Porque hoje quero deixar de esperar. E custa-me muito fechar essa gaveta, que cá dentro, mesmo assim, teimo em não querer fechar, mesmo sabendo que talvez seja o melhor.

Deito a minha cabeça no teu regaço porque hoje preciso do teu colinho. E tu, quase instintivamente passas-me as mãos já um pouco enrugadas pelo meu cabelo.
Estavas a ver televisão quando cheguei. Ou fingias. Possivelmente pensavas o que vais fazer amanhã para o almoço, pensavas que precisas regar o castanheiro pela manhã porque os dias de calor estão aí. E ele não pode morrer.... e sim, está a ficar grande e tão bonito. Ficará uma bela árvore.
Poderás até pensar no tempo em que vias televisão ao lado do pai...e eu vos encontrava aqui a rir e a recusarem dizer porquê. Eu sei que sentes falta dele.

Vê tu mãe.... quando tiver a tua idade não terei uma filha com 30 anos a querer o meu colinho. Ainda não conheço esse amor. O amor que ensina, que responde, que fala, que não pede, que perdoa.... o amor incondicional. Aquele que no silêncio se sabe que se gosta. Que mesmo assim se diz.
Não conheço esse amor que me ia espreitar em pés de lã para ver o que estava a fazer, para me tapar de noite, para chorar por me ver sofrer.... esse amor que me levava bombocas escondidas mesmo quando estava de castigo. O amor que é cumplice, que tem segredos ao resto do mundo. Não o conheço. Nem sei se irei a tempo de conhecer.
Foi sempre um amor adiado....naquele tempo não era tempo e agora esgota-se o tempo. É quase tarde.

Tu na tua paciencia continuas a afagar-me os cabelos. Hoje precisava disto. Deste amor que não condena. Do teu. Só o teu amor é assim.
E vê tu mãe, como precisava sentir-me assim nos teus braços, criança outra vez. Sentir que me proteges do mundo, que nos teus braços posso adormecer tranquila, sem medo. Como queria que as noites não fossem tão longas, que quando me deito o sono chegasse para não me deixar pensar.

Vê tu mãe.... que agora nem as apalavras amargas que te disse ao longo da vida te fazem recusar um carinho.
- Põe o teu coração ao largo.

Tu sabes.... mesmo sem nunca to ter dito. Sabes que sofro. É por isso que não usas muitas palavras. Porque sabes que as palavras nem sempre apaziguam a nossa dor, que muitas vezes só nos fazem chorar. E tu sabes que não gosto que me vejam chorar. E sabes que não quero. Como sabes que tenho os olhos vermelhos porque chorei. Chorei porque precisava. Precisei tanto. E quando parei precisei sentir amor.

Sempre me disseste isso. Ouvi tantas vezes dizeres-me para pôr o meu coração ao largo que muitas vezes dou por mim a dizê-lo aos outros. Talvez porque sabes que é assim que se encontram os caminhos, que se o coração está pesado é muito mais dificil escolher e avaliar o melhor. Que com o coração ao largo, damos lugar a que entrem novas coisas na nossa vida, que tudo fica muito mais fácil. Escolher ou esquecer. Tu sabes que o caminho é esse, por isso mo dizes.

Mas sabes mãe, custa-me enterrar palavras e momentos que julguei serem verdadeiros. Vê tu que a tua filha continua sempre com aquela esperança que haja verdade nas palavras que me dizem. Vê tu mãe....vê lá tu que ainda acredito. E que por acreditar me custa esquecer, porque não quero aceitar que pensava que tudo era uma grande verdade quando afinal foi a maior das mentiras. Não quero acreditar, mãe.... não quero.

Já está tarde.... queria deitar-me e que me fosses apagar a luz, e dar-me um beijo de boa noite.
Sinto falta de dar o ultimo boa noite. Aquela cumplicidade que se cria entre as almas, que sabe bem dar um ultimo telefonema ou simplesmente um beijo e saber que o sono vai ser mais tranquilo porque não estamos sós.
Tenho aquele nó na garganta que me faz querer chorar. Porque lembro. Volto a reviver cada momento na memória e não chego a lugar nenhum. Refaço todas as horas. Continuo apenas à espera e não quero. À espera mãe, vê tu, à espera de palavras. De uma razão. Das palavras que tanto me custam acreditar e que acreditei.... das palavras que me trouxeram esperança ao peito. À espera de palavras mãe. Para entender. Das palavras que são nada, que podem ser pouco, mas ainda assim é a unica coisa que se tem.
Vê lá tu, mãe.... as palavras não existem. Pouco ou nada significam.

Vazio, não diz tudo

Solidão, faltam-lhe letras, tantas!

Desilusão, é pequena demais

Tristeza, não explica

Saudade, o que quer dizer?

Abandono,
Abandono só diz metade.

Preciso chorar. Mas não quero que vejas, mesmo que saibas que o vou fazer mal entre de novo no meu quarto. É por dor, sabes mãe.
Uma dor que existe porque alguem a colocou aqui. Talvez com esse propósito. E tudo podia ser tão fácil...

Custa-me falar. Se falar choro. E estou cansada de chorar. Será que sabes o que te digo assim, enquanto estou no teu colinho em silencio? Será que ouves? Ouves mãe?


- Quem me dera que fosses outra vez pequenina, Raquel. Quem me dera ver-te ainda naquele tempo em que não sabias que um dia irias sentir a palavra amo-te e sofrer por amor.

Tambem eu mãe....tambem eu.

publicado às 11:02

Sexo louco....

Confessado por Mulherde30, em 06.06.05

- Querida, logo podíamos...
- Logo? Que tal fazermos já o aquecimento?


Ah pois! Gostas pouco, gostas...
É que sexo, o do bom, não tem agenda. Não tem hora nem lugar. O sexo bom vai começando enquanto se faz o jantar, se passa a ferro, se lava a loiça, se coloca a roupa na máquina...é que haja imaginação que as posições são naturais. (talvez por isso digam as bocas correntes que são tarefas de mulher. Quer dizer, não são... mas que é meio caminho andado para mentes badalhocas, é.)

E se a ginástica cansa o corpo, o sexo revitaliza. E se os pais estão ali ao lado, temos que ir ao carro que está na garagem...só porque estamos com vontades selvagens.
E se vamos ao jantar de aniversário em casa de amigos, há pés que se descalçam e procuram.
E se fomos ao dentista, pode nem haver longos beijos de lingua nem broxes e mesmo assim ficamos com imensas opções à escolha.
Período? Isso é um pormenor. Que ambos estejam à vontade, na posição certa e com um pouco de cuidado tudo se resolve. Se bem que ficamos a parecer funcionários do talho.
Os lençóis sujos? Corpos pegajosos? Hum.... óptimo. Pela manhã um duche a dois e no quarto um cheiro a suor.
Dores de cabeça? Ha Ha Ha
Todos sabem que o sexo é o melhor remédio, portanto....

E se nas escadas a vizinha nos olha com aquele ar de carneiro mal morto, de enjoadinha, de sem sal, só porque não dormiu com o barulho que fizemos....paciencia! Que se tivesse juntado ao grupo ou tivesse feito o mesmo com o marido. Que culpa temos se ela faz parte do grupo do sexo normal?
Além disso, o olhar de inveja não nos incomoda, como não incomoda as filas de transito ou o mau humor do chefe ( que é o tal que anda a comer a secretária, marido da fanhosa com quem nos cruzámos na sescadas com ar esgazeado. O tal que combinou com ela darem uma na passagem do ano....só faltam 6 meses!)

E é claro que o sexo louco, por vezes, não acontece numa primeira vez. Nessa primeira vez há o medo de se fazer tudo errado. (as quecas de uma noite não contam, nessas não há medo de nada....)
Primeiro é preciso saber se o companheiro tambem é dado a esse tipo de sexo ( e rezar para que sim). É preciso saber até onde vai a loucura do outro. E quando se começa, não se quer mais parar. Não importa que daqui a pouco tenhamos que nos levantar para ir trabalhar.
O sexo louco vicia. E por vezes o sexo louco de louco não tem nada. Afinal é normal.
O sexo louco tem gemidos, respiração ofegante, tem riso, tem suor, tem palavras, tem vontade, tem pressa, tem tesão, tem gosto que gosto e sabor.
Não tem pudor nem vergonha. Deixa-nos livres.

O sexo louco é nas paredes, nas mesas, nas cadeiras, no sofá, no tapete, nos vãos de escada, no terraço, no elevador.

Os corpos buscam-se por natureza.... não se pergunta. Faz-se.

E agora que escrevo tudo isto, quer-me parecer que de longe, prefiro este grupo. Não querendo perder-me definitivamente do outro, do sexo normal....que tambem tem muito de sensualidade.
O grupo do sexo louco....quero este com mais frequencia. O dos felizes. O dos loucos. O dos que cansam o corpo para carregarem uma alma mais leve. O dos que rasgam a pele...que querem cravar os dedos numa pele que não a deles, por paixão, por amor, por insanidade...ou porque sim. O dos que trazem um sorriso tonto no rosto e que sonham acordados com imagens nuas....


7 minutos?? Nunca ouvi falar....

publicado às 15:13

Sexo normal....

Confessado por Mulherde30, em 03.06.05

- Querida, logo podíamos....
- Hoje não. Tenho que passar a ferro.
- E amanhã?
- Nem penses, tenho que ir às compras e limpar a casa.
- E depois de amanhã?
- Pior. Tenho ginástica, chego cansada.
- E se for no final de semana?
- Não pode ser, estão cá os teus pais.
- E na próxima semana?
- Estou com o período.
- E no outro fim de semana?
- Aniversário em casa dos Antunes.
- E no próximo mês?
- Tenho dentista e vou ter dores de cabeça horriveis. Olha, na passagem de ano, que tal? Estamos em Junho, passa num instante.

Ele pensa: e na passagem de ano, que tal o divórcio?
Mas responde:
- Combinado. Mas é melhor anotares para não te esqueceres.


Na passagem de ano...
- Querida, é hoje....
- Não mereces porque te esqueceste do meu aniversário. Mas combinado é combinado. Vou só pôr a máquina a lavar ...outra vez. Deita-te que já vou. Visto a camisa para ser mais rápido, amanhã temos que acordar cedo para ir almoçar aos meus pais. E tem cuidado que hoje fui à cabeleireira. E vê lá, não podemos sujar os lençóis. E... vais-te lavar depois para não ficares assim todo pegajoso.

Quando ela finalmente chega à cama, já ele dorme...cansado que anda das trancadas com a secretária que não lhe dá descanso e a quem ofereceu o anel que tinha comprado para a esposa no seu aniversário.


Na verdade, enquanto não existe um compromisso, mesmo que um daqueles discreto, o sexo é muito mais espontaneo. Parece que há sempre vontade, que os pensamentos depressa se tornam pecaminosos, satânicos, urgentes.
Aquelas quecas rápidas, com hora marcada, silenciosas, no escuro....até podem ser boas. Mas uma vez por ano. Mais que isso chateia.
O tido como "sexo normal" por mais que digam que não...(que tal, comigo não é assim).... é o que acontece entre a maioria dos casais.
E já se sabe que se na cama as coisas não funcionam, tarde ou cedo deixa de funcionar tudo o resto. Digo eu que nada sei.

Juntamente a isto, está provado que num casal que mora junto, não só a média das relações é duas vezes por mês (e com sorte para alguns uma vez por semana), como o tempo médio é de 7 minutos. Os famosos 7 minutos...
O que quer dizer que é uma foda muito mal dada.
(Claro que eu, na situação em que estou bem posso dizer "quem me dera!")
Uma rapidinha, de vez em quando sabe bem. Mas atenção: de vez em quando.

Neste atraso, se me calha na rifa um assim, nem sei que faça...se brado aos céus ou se grito e como ameixas verdes. Que o diabo seja surdo, cego, mudo e paralítico.

Só peço que venha um que saiba aquelas técnicas todas malucas, me faça suar e desejar mais.
Portanto.... relações assim tão sérias, destas que fazem sentir que o prazo de validade do sexo já expirou, dispenso.
É por isso que não me sai da cabeça o namorado em part-time. Um que encontre de vez em quando para estar e partir no dia seguinte...mas tudo com uma espécie de amor à mistura, claro.

E bem qe podemos deixar-nos de merdas: que o sexo é importante e é bom que seja bom. Duvido que alguem duvide.
E por vezes, já se sabe que o sexo bom vem depois de um sexo daqueles mais.... como dizer.... normal.


Que me chamem depravada, mas sexo normal? Eu????
Nã...dispenso.
Prefiro o outro.... O louco.

publicado às 11:29

E tu, lembras-te?

Confessado por Mulherde30, em 01.06.05

Quando acordei já não estavas cá. Alguma vez estiveste? Mas o teu cheiro ainda percorre o quarto inundado por uma luz que não queria ver, nem sentir.
Ao longe consigo ouvir o som da água a correr. Talvez te tenhas levantado e estejas no duche....ou sou eu que quero que seja assim?
Não importa....

Por momentos fecho os olhos, talvez tenha adormecido. Acordo (outra vez?) com um cheiro a perfume (o teu)... ainda estás aqui perto. Não me apetece mexer para te procurar. Não gosto de procurar, gosto de encontrar ou que me encontrem...
Gostava que chegasses aqui de mansinho (como sempre) me desses um beijo querendo despertar-me e me dissesses:
- Raquel....acorda.
Mesmo que eu já estivesse acordada. Sim, esse beijo agora sabia bem. Talvez neste instante fosse apenas o que preciso. Que estranho.... precisar assim tanto de um beijo!

Passam minutos num relógio que faz tic tac... e deixo de ter o cheiro do teu perfume (sempre tu. Em tudo), de ter o teu cheiro no quarto...já não ouço sons de água que corre....já não ouço nada. O que se passa? Onde estás?

Levanto-me para te procurar. Será agora tarde demais? Logo eu que nunca te procurei....
E não te encontro. Estás em lado nenhum. Perdeste-te? Ou fui eu que te perdi? Talvez me tenha perdido a mim...
Quero lembrar-me de ti....e preciso esforçar-me para recordar cada pormenor do teu rosto. Mas esta noite estiveste comigo. Lembras-te?
Ou não estiveste? Terá sido esta ou há um mês atrás e tudo me parece recente?
Diz-me, tu lembras-te? Lembras? Diz-me.... não quero ficar com esta pergunta sem resposta. Alguma vez estiveste aqui comigo?

Os corredores são tão longos, custa-me pronunciar o teu nome...talvez porque dizê-lo ainda doa muito, doa demasiado.
As paredes não têm a luz de um sol quente que brilha lá fora. Onde estou?

E encontro-te.
Dobrado sobre o teu próprio corpo, num canto escuro de uma sala imensa...a chorar.
Vejo-te assim tão pequenino...lembrava-me de ti como um ser imenso e especial. E és...ainda és. Aqui neste silêncio posso dizê-lo. Ninguem me ouve. Tenho medo que alguem ouça...tenho medo que tu ouças. O medo. Sempre.
Mas o teu corpo, as tuas mãos com que escondes o rosto, os ombros com curvas quase perfeitas, igual. Como me lembro. Alguma vez foi assim?....
É neste instante que queria retomar todos os meus passos de volta a um passado. Até a um momento em que te quiz abraçar e dar a mão e não o fiz com medo que estranhasses... é sempre este medo. O medo de agir, de fazer...e depois, mais tarde, querer repetir, para quem sabe fazer tudo como deve ser feito. Haverá outra forma de fazer as coisas?

Quero mergulhar num mar de água fria, gelar o corpo, a mente para que não lembre. Quero sair e ter o teu abraço, aquele que dizias ser o começo de tudo. Aquele abraço que quebra o gelo que tenho em mim, que me faz acreditar, que me faz soluçar baixinho, no silencio. Que me faz sentir o cheiro do teu peito com sabor a eternidade. Mas isso não existe pois não? Nem o teu peito, nem o cheiro, nem eternidade. E o amor? Será que existe?

Poderia abraçar-te agora...mas não sei se queres que o meu corpo se envolva com o teu. E não o faço. Sempre o medo. Sempre. Mas queria o teu abraço agora. Neste instante. Como naquele dia. Um beijo quente como naquela tarde. Queria....

Olhas-me...como se me quizesses dar as respostas que sempre me recusaste. Como se finalmente quisesses falar...com essas ruguinhas em torno dos olhos, com essa ruguinha na testa que sempre gostei. Menino de rugas... Tu, sempre menino.

Eu vejo-te a chorar...mas sei que não estás aí nesse canto esperando o meu abraço. Sei que agora já nada esperas meu. nem o abraço, nem o beijo, nem a voz, nem o sorriso nem o cheiro. E nem tão pouco estás aí...são apenas os meus olhos que te querem ver. Uma vez mais. Uma só. A última. Ou estás? E queres tambem uma vez mais o que sou?
Mas sei porque choras.... sei que choras porque compreendes finalmente que te faço falta. Talvez nem seja saudade de mim...talvez seja saudade de nós ou de ti. Daquilo que eras comigo. Ou nunca foste?
Sabes agora (tarde demais) que jogaste fora tudo o quanto te dei. E dei-te tudo... tudo o quanto te podia dar. Mas não quiseste. É por saudade que choras...
Será? E saudade de quê?

E mais uma vez, por medo que me afastes uma e outra vez, não vou ao teu encontro para te dar aquele abraço. Talvez porque saiba que tudo se iria repetir. E é louco procurar o que sabemos que nos faz sofrer, não concordas?

Talvez tudo tenha sido em vão e só agora, que sei porque choras, me apercebo disso. Tenho pena. A história podia ter sido tão diferente. Quem não quiz? Eu ou tu? Quem fez o quê de errado?
Talvez eu...
Vi-te de uma forma que talvez nunca tenhas sido...talvez só mesmo eu te tenha visto assim porque precisava. Precisava acreditar que o amor pode ser possivel, que com ele vêm tantos tipos de amor....que as amizades podem ser coloridas e verdadeiras.
Mas vi tudo como precisava ver...e vi mal.

E tu, aí acocorado, choras...
Se soubesse que uma atitude minha podia mudar tudo, faria-a. Mas acho que já nada vale a pena. Que nesta história as personagens estão erradas. Que fazer? Mudamos de história ou de personagens?
Dizes-me?

Não, não dizes....como nunca disseste nada que precisasse ouvir...só mesmo naquele tempo em que te via como não eras.... só naquele tempo em que precisavas de algo meu ( que não sei o quê), só naquele tempo em que tinhas sempre uma voz, um cheiro, um sabor...
No tempo sem segredos, sem fingimento, sem mentiras...no tempo de horas de conversas intermináveis. No tempo do carinho que hoje não tenho. Que me faz falta. Muita. Tanta! Onde ficou esse carinho? Existiu verdadeiramente?
Queria o teu carinho outra vez. Hoje. Mas ele não vem. Talvez porque nesta história, tambem tu tenhas medo de perder o pé.... de saltar.


Caminho de volta ao quarto como se aos meus pés viesse preso o peso do mundo (ou é o meu peito?)... quero esquecer. Quero deitar e dormir. Quero acordar com a tua voz a sussurrar-me ao ouvido o meu nome. Só para que saiba. Só para que saibas ainda o meu nome.

Mas há aqui um carinho. Que faço com ele? E no teu peito ainda há alguma coisa? Ainda te lembarás de mim? Ou esqueceste? Sabes quem sou?
Inevitavelmente ficam perguntas suspensas no abismo...

E hoje tudo se perdeu.

Por medo. Sempre o medo.

Já não quero voltar àquele fim de tarde em que escrevi o teu nome num vidro embaciado. Já não quero voltar no tempo e dizer-te o tanto que não disse. Não disse naquela altura e não digo hoje. Por medo. Sempre o medo.

Tu sabes....é tarde demais.(será?)
Mas não foi em vão, ou foi?
Lembras-te?

publicado às 15:15

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