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Às gajas da minha vida...

Confessado por Mulherde30, em 03.10.05

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Nada como ter amigas para aliviar o espirito...

No local de quase sempre, na hora do costume e lá estamos nós três/quatro em mini moitas porque no dia seguinte há que levantar cedo.
E ali passamos umas horas a gozar connosco e com as outras, a falar de coisas sem importância nenhuma.
Lá chegamos nós à hora marcada (porque gaja que é gaja não se atrasa), pede-se o café para começar e para contar as novidades do dia...depois vamos analisando os artigos que vão entrando, discretamente...(gaja que é gaja é discreta). E chegamos a muitas conclusões.

Claro que a idade lá nos vai ajudando a perceber o que aquele quer, do que o outro vem à procura, essas coisas...e se entra um giro, uma de nós pega na caçadeira e pum! Enquanto grita é meu é meu...hehehehehe...Mas pronto, como a idade avançada já não nos permite correr, lá vem uma gazela no alto dos seus 20 anitos (a meter nojo) cheia de mamas pernas e cús, de umbigo ao léu expondo a barriguinha lisa, de sorriso rasgado e dentes certinhos e brancos como a neve, maquilhada com um frasco inteiro de base, um baton e eye liner e sombra e afins...com um frio de morte e de bicos arrebitados (mas insiste em andar de costas ao léu), com uma coisa a que chama saia e nós (trintona eu e as outras quase) apelidamos de cinto...com uns saltos agulha que em momento de fúria é bem capaz de furar um crâneo...e pronto...lá vai ela, luz na passerella, uma gazela, que chega e nos leva a caça presa nas garras...é que assim, fica dificil sobreviver!

Esta é a primeira conclusão: meninas, a idade já não nos deixa muitas alternativas de caça, há que comprar tudo pré cozinhado. Ou seja, algo que alguem antes de nós preparou mas antes de aquecer, algo correu mal... é quase como um resto de qualquer coisa, neste caso, um resto de gajo.

Depois, claro...como é que alguem pode olhar para mim com estas pernitas de Olivia Palito, de cuzito enfezado e com estas micro mini mamas? Ninguem, claro está!

Adiante...a noite ainda agora começou... continuamos a falar de coisas sem importância....e aquelas couvinhas sem soda a passarem por nós a dizerem olhem para mim que linda que sou....e nós a pensarmos: fo**-te miuda, vai para casa brincar com as barbies que ainda tens muito a pedalar (quando cada uma delas sabem mais que todas nós três/quatro juntas....)

Onde é que eu ia? Ah sim, a noite depois de já ter começado... continuamos a falar de coisas sem importância.... uma queixa-se porque ele desapareceu e só hoje mandou uma mensagem a dizer que tinha perdido o telemovel no carro.... (pois sim....) e que anda muito ocupado, que chega a casa muito cansado por causa das reuniões (hummmmm, afinal havia outra, e chama-se reunião!). E aquela gaja ainda se põe a pensar se ele disse a verdade ou não...as outras a dizerem, manda-o ver se a avó tem o lume aceso, ele que se f***, quando te ligar, diz-lhe para dar uma queca com a reunião... e ela, manda uma mensagem enquanto nós dizemos: não, não, não...
E ela envia-a e arrepende-se logo a seguir. Mas tambem confessa que se estivesse em casa teria ligado... (pronto, uma mensagem sempre é mais distante que um telefonema...volta que estás perdoada).

Outra porque tem/tinha/vai tendo uma relação tão esquisita como uma galinha a rir-se para nós com dentes...nenhuma de nós entende aquilo (nem ela), mas lá vai tendo uns finais de semana potentes de quando em vez...muito de quando em vez.

A outra porque o gajo se lembrou que tem muitos problemas pessoais e que por isso não se pode dedicar a uma relação.... e lá vai derramando uma lagrimita que nós vamos limpando para que não choremos tambem.

Outra conclusão: o dicionário masculino não deve incluir a palavra sinceridade.

Eu tambem me queixo, claro! Gaja que é gaja exprime-se. Só me queixo que sou feia, que tenho mau feito, que ninguem me quer, que sou distraida e nunca vejo nenhum com chiwawa, quando vejo tem trela ou um ar esfomeado que dá medo.... e elas dizem-me:és um coração mole, devias ser má, não deves ser tão inocente (nem acho que seja....)
elas sempre teimam que conhecem um fulano que é primo de não sei quem que é perfeito para mim (e vão avisando que é feio).
É sempre feio, é sempre disto que me sai na rifa, que tomates. Pronto não é preciso que seja bonito...mas assim feio, feio? Que raio de sorte que tenho...
Elas sabem que eu penso que homem bonito dá muito trabalho, que olha mais para o espelho que para mim, cuida mais do corpo que da alma, que não lhe posso agarrar os cabelos que despenteio, que não me posso abraçar que amarroto a camisa, que não me posso atirar no seu colo que faço não sei o quê às calças....fo**-se para os homens bonitos! Mas tambem não significa que pretenda um sem dentes acabado de chocar com um camião cisterna...
Queixo-me do amor e da falta dele, queixo-me do preço dos preservativos que custam os olhos da cara e da maneira que as coisas estão já nem se pode pagar com o olho do cú. E já nem se pode ir ao cú a ninguem, o preço da vaselina e do gel lubrificante está pela hora da morte. Portanto, se era virgem onde o sol não brilha, assim continuo porque não tenho carteira para estas merdas (nem carteira nem gajo), além disso, o melhor mesmo para se poupar é ficar no atraso. Fo**-se que até para se sexar é preciso ter dinheiro!
Queixo-me de pouco, como se pode ver ....heheheheh...Queixo-me que me apaixono demais e de menos sempre por tudo aquilo que não devo...e outros azares.

Conclusão: mesmo em mau tempo para pescarias, continuo esquisitinha. Custa encontrar um daqueles em quem pouse o olhar e me sinta encantada...muito mais dificil é continuar encantada depois de cinco minutinhos de algo a que muitas outras pessoas chamariam de conversa.

A noite vai avançando e nesta altura em que continuamos a falar de coisas sem importância, vão surgindo bebidas na mesa que alguem ofereceu...mas como já estamos na fase de ver que tudo acaba sempre da mesma maneira, (que tal, muito carinhoso no inicio, tudo muito divertido e depois....)já nem queremos saber quem foi que teve tal atitude. E o gajo ali a olhar com cara de paspalho e nós, já possessas com tantas artimanhas não lhe ligamos pêva....

Nova conclusão: os homens certos aparecem sempre na hora errada...e pagam pelos erros dos outros, dos errados.

Os risos vão crescendo e multiplicando...
E as gazelas vão desaparecendo...horinha de dormir cedo para não ficar com rugas. E nós ali a sulcarmos as nossas em torno dos olhos.

E como continuamos a falar de coisas sem importância, falamos de sexo (neste caso na falta dele)...damos umas largas à imaginação que é coisa que não nos falta. Falamos das peripécias na cama, no que até ia bem numa noite assim e das pilas. Claro que nenhuma quer um porta chaves, nem sequer uma martelo pneumático nas mãos de um que nem sabe como aquela merda funciona.
Falamos dos casados que só queriam ser solteiros para darem umas quecas e dos solteiros que coitados (como nós) andam à míngua meses a fingem perante o mundo (com o peito de galo que fazem) que papam todas. E talvez lá no fundo (mas lá no fundo onde faz eco) só queriam ser casados (ou ter mulher, que dá no mesmo), para darem umas quecas de vez em quando.

Como conclusão: ninguem está bem, anda meio mundo desencontrado à procura do outro meio.

E quando a madrugada já bate à porta, com o rímel a escorrer pelos cantos dos olhos por rir e chorar (chorar a rir e chorar a chorar)...quando as conversas já são patrocinadas por várias bebidas que já nem sei o nome (que eu cá sou fina e só bebo Smirnoff ou Baileys) chegamos à conclusão mais importante da história da humanidade:

Se os homens são todos iguais, porque raio escolhemos tanto?


E depois, lá vai a Raquel a tentar abrir o carro com o comando da garagem...porque bebidas misturadas com sono e cansaço, garanto, é explusiva... para levar as meninas a casa. Sempre eu a taxista de serviço. Tudo eu, tudo eu....

E na madrugada que avança pela noite ficamos por aqui. Deixamos o nosso até amanhã habitual, cada uma para seu lado...e partimos de espirito bem mais leve do que quando chegámos. Afinal há outras como nós...

Vamos para o nosso aconchego, lidar com a solidão da melhor maneira que sabemos.

Como confissão: por vezes, no final de um dia de mil anos de trabalho, estou com aquelas mulheres em quem vejo pedaços de mim (porque as tenho como amigas) e com quem aprendo a viver esta magia a que chamam vida, e agradeço ter ao meu lado pessoas que estão lá, simplesmente. Para rir de mim e delas com elas...e para chorar por mim e por elas com elas. A vocês, amigas de todas as horas, (que talvez nunca irão ler nada disto) escrevo aqui o que tantas vezes vos digo... quero dizer-vos que quando brindamos "para que a vida seja sempre assim" faço-o na sinceridade. Que falte muitas coisas, mas que pelo menos nos tenhamos umas às outras para rir e chorar. Ou para simplesmente em silêncio, cada uma nos seus pensamentos, nos sentarmos no banco do parque a saborear os dias de sol. (não, não é patrocínio de Frize morango, nem Eristoff...nem do bocadinho do vosso Bacardi, Licor Beirão ou Caipirinha). "Gajas"... obrigada.

Até amanhã... e que a vida seja sempre assim.

publicado às 01:44


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