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Cumplicidades

Confessado por Mulherde30, em 22.04.05

afrodite39.jpg


Tenho dias assim.
Sou exagerada em tudo o que digo, o que penso e muitas vezes até no que faço. Sou extremos de mim. Mas se deixasse de ser assim, deixaria de lado aquilo que sou.
Num dia quase desespero, no seguinte vem de novo a esperança...e muitas vezes chega através das coisas mais simples. Uma voz, uma palavra, uma lembrança...e eu volto a acreditar em tudo outra vez.


Saio do trabalho, agasalho-me. O verão teima em não chegar. Sento-me numa esplanada a ver o sol que, envergonhado, vai dando lugar à noite, escondido por nuvens.
Tomo um café, fumo um cigarro. Finjo que todos aqueles piropos não são para mim...hoje não me apetece.
Fico sentada deixando que pensamentos e sonhos me povoem a mente...e deixo-me sorrir.

Quando a noite chega, entro no carro...ouço musicas que me dizem tanto! Palavras que alguem escreveu, quem sabe, num dia como este.
E conduzo por estradas que nunca me levam a lugar nenhum...
Pelo rosto deslizam lágrimas e nem sei se serão de tristeza...talvez não.
Talvez chore porque...

Talvez porque a solidão pese. Nem sei se será solidão, talvez seja um vazio que não se preenche porque não há quem o consiga preencher. E sei que estou só porque não pode ser de outra forma. Talvez tenha que ser assim.
Um dia o amor chegará. Na forma de outro homem, com novo rosto, novos gestos... com um amor que possa trazer aquela cumplicidade que sempre se sente a falta.
E não é mau estar-se só quando se sabe que do nada, tudo muda.
Que num outro corpo encontrarei os pedaços que faltam no meu. Que me encontrarei algures num sorriso, num toque. Quem sabe me encontre no dia em que alguem se encontrar em mim. Há tantos outros como eu! Outros que se perderam lá atrás...e só se querem encontrar...perdendo-se em alguem.
Todas as histórias de amor são iguais...
Mas tenho o coração leve, a alma livre. Espero apenas. Sei que o amor se pode encontrar sem procurar.

Penso nos amores passados...cada um que chegou com a mesma intensidade. Cada um que a seu tempo foi embora. Não foi um dia antes nem um dia depois...foi no dia previsto. Com ou sem tumultos, com ou mais dor, mas no dia em que tinha que terminar...e por todos ficou o carinho.
Como que um agradecimento que o coração diz sem palavras pelas coisas boas que ficaram na lembrança.
E como no passado, a história irá repetir-se. Quem sabe até com força maior.

Já não sei por onde ir... já cruzei tantas vezes estes caminhos! A musica continua a tocar baixinho. E eu, aqui sozinha, ainda consigo emocionar-me com o som de uma viola.
Sou assim...rio por tudo, choro por nada.
Mas há dias em que não me apetece rir nem chorar, como hoje. Apetecia-me um abraço. Um abraço apertadinho que conseguisse fazer-me sorrir...ou chorar. Um abraço em que as peles se encostam e se queimam porque se gostam...um abraço de carinho. Daquele carinho que não precisa de mais nada. Daquele carinho que fala em silencio e que só um outro coração que gosta de verdade consegue ouvir.
Mas não o tenho...

Vou para casa e deito-me. Deito-me numa cama onde já não habita o amor.
Deito-me e deixo que o sono, durante a noite, me traga uma vida com essa ternura, com essa cumplicidade...com um amor. Com tanto que sinto falta. Deixo que o travesseiro me fale baixinho e aquiete o meu coração...e imagino que os lençóis são os braços de alguem que me possa querer bem...

Deito-me. Sozinha.

publicado às 19:12


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