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Desencanto

Confessado por Mulherde30, em 15.05.05

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Deixei-me levar toda a noite por caminhos que não conhecia só para me perder no meio da multidão. Saí da minha cidade, fui para longe só para não pensar nas correntes, so para esquecer. Só para cansar o corpo e dar descanso à alma.

Há coisas que não consigo entender, nem aceitar. Há atitudes que me magoam e que queria nem ter que as sentir, mas sinto. Não posso voltar atrás, não posso voltar ao dia em que sentia que tudo ia dar errado, mas mesmo assim arrisquei....talvez na esperança que a intuição podesse errar.

Mas sinto que a minha atitude aliviou um peito que não o meu. Dei um passo por alguem.
Um passo que não queria, mas dei. Melhor assim.
Agora a ausencia tem uma razão. Tem tantas! Tem a razão da minha atitude e tem as outras que eu sei.... aquelas que a intuição já me grita há tanto tempo!

Ponto final da história que nunca devia ter começado. Da história que me fez acreditar outra vez. E tenho pena que seja assim...tenho pena que nesta história só exista uma personagem que sente. Afinal, quem ficou sem respostas, fui eu.
Não importa... a dor e mágoa passarão. Será tudo apenas a lembrança do erro que não devo voltar a cometar. Só isso.
Viver e esquecer. Mesmo que custe aceitar que tudo tenha sido faz-de-conta.
Penso se por vezes as pessoas têm a noção do que causam com determinadas palavras ou atitudes. E sei que nós sabemos quando passamos certas linhas, sabemos o que pode acontecer... sabemos que há caminhos sinuosos onde nos aventuramos, mesmo com medo. Caminhos em que depois se torna dificil voltar atrás.
Mas sempre paguei para ver...e neste caso, pago um preço alto demais...

Mas chega o dia em que vamos juntar peças, montar puzzles e vimos que afinal, desde o inicio, era tudo ilusão. Era tudo apenas para matar uma curiosidade, era tudo apenas para testar limites, era tudo apenas para brincar um pouco aos sentimentos.
E nessas uniões de peças, vimos toda a história. De repente compreendemos tudo o que estava há tanto tempo à nossa frente e, por carinho, recusávamo-nos a ver. Mas estava lá desde o inicio.

Agora sei o que já sabia e que por teimosia me recusava a aceitar. Agora sei o porquê dos planos que não se concretizam, agora sei. Tudo ficou tão claro. E o silêncio, até ele, me dá as razões que as vozes não falam.
Perdeu-se o encanto.
Afinal, não era sentimento de espécie alguma....era nada.
Quando há laços que nos unem, há respeito, há consideração. E as palavras neste instante tornam-se tão banais, tão sem conteudo, tão vazias... volto no tempo e vejo até que ponto pode ir alguem só para conseguir algo que nem sei o que é...até que ponto se engana e se finge ser uma persongem num teatro que constrói, só para depois ter o prazer de abandonar a cena.
E ao pensar em tantas palavras ditas, em tantos momentos, pergunto-me se esteve em algum deles. Esteve lá? Onde? Foi tudo tão desprovido de ternura? Foi tudo intenso só para mim? Onde se perdeu quem entrou de mansinho? Onde está? Algum dia esteve?

Queria esquecer, não lembrar...queria não pensar em quantas barreiras cruzei para que, do nada, se tenha mais uma decepção a juntar a outras. E saber que uma luta não vale a pena, dói. Como dói saber que nada valeu a pena.
Histórias que ficam mal contadas, por acabar.
Melhor assim...guardam-se naquela gaveta de sentimentos jogados fora... naquela gaveta onde ficam as histórias fingidas, enganosas e repletas de mentiras.

Mas já pouco imorta.
Lutei demais, falei demais, senti demais, chorei de mais, dei de mim muito mais do que devia, esperei demais... tudo por algo que nunca valeu a pena. Já não quero ocupar as horas em esperas inuteis...já não quero esperar pela coragem de se dizer, por uma vez que seja, as verdades...mesmo as mais crueis. Ouvir apenas o que o nosso intimo nos diz...mas que falta a prova. Mas que pelo menos, assim, sabemos os porquês. Ou inventamos...

O que quero, é tiar este aperto do peito...desatar os restos dos nós.
E sei que uma vez mais, irei conseguir.
Nem sei o que escrevo... de tão confusa que estou.

Pouco importa....o tempo trará todas as respostas...

publicado às 18:55


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